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OS DONS ESPIRITUAIS E BIBLIA
OS DONS ESPIRITUAIS E BIBLIA

OS DONS ESPIRITUAIS E BIBLIA

 

Haja vista a alegação dos críticos das doutrinas paracletológicas de que a expressão “dons espirituais” não consta da Bíblia, iniciarei esta série fazendo um esclarecimento. De fato, o termo “dons espirituais” não aparece em 1 Coríntios 12.1 e 14.1,12. Mas o termo original pneumatikon (literalmente, “espiritualidades” ou “coisas espirituais”) pode ser perfeitamente traduzido por “dons espirituais”, uma vez que esta tradução é abonada pelo contexto imediato: “há diversidade de dons” (1 Co 12.4); “dons de curar” (vv.9,28); “dom de curar” (v.30); “procurai com zelo os melhores dons” (v.31).

 

“Dons”, em 1 Coríntios 12.31, é charisma, mas em 1 Coríntios 14.1 é pneumatikon. Isso confirma que os termos são perfeitamente intercambiáveis, à luz do contexto. Ambas as formas se referem aos dons espirituais. Estes fazem parte das ministrações do Espírito Santo na igreja e manifestam a glória divina. Os dons espirituais edificam os crentes e atraem os pecadores. São capacidades, dotações sobrenaturais concedidas pelo Espírito Santo, com o propósito principal de edificar a igreja (1 Co 14.3,4,5,12,26; Ef 4.11-13). Através deles, o Senhor revela poder e sabedoria aos seus servos.

 

Há distinção entre os dons espirituais mencionados em 1 Coríntios 12.6-11 e o batismo com o Espírito Santo, também chamado de dom do Espírito (At 2.38; 10.45). Este é um revestimento de poder outorgado pelo Espírito Santo, enquanto os primeiros são as capacidades sobrenaturais decorrentes do tal batismo. Nesse caso, quem já fala em línguas, como evidência do aludido revestimento, deve desejar e buscar outros dons: “procurai com zelo os dons espirituais” (1 Co 14.1); “como desejai dons espirituais, procurai sobejar neles” (v.12).

 

Também há distinção entre os dons espirituais como manifestações esporádicas (1 Co 12.6-11) e como ministérios (1 Co 12.28). Os primeiros estão à disposição de todos os que buscam a Deus (At 2.39; Rm 11.29). Já os dons ministeriais são residentes nos servos do Senhor e dependem, evidentemente, da chamada soberana de Deus (Mc 3.13). À luz da Palavra de Deus, todo crente fiel, batizado com o Espírito Santo, pode ser usado com o dom de profecia (1 Co 14.1). Mas nem todo crente, mesmo que batizado com o Espírito, pode ser um pastor, por exemplo, visto que este dom não é uma manifestação momentânea, esporádica, e sim um ministério outorgado soberanamente por Deus (Ef 4.11; Hb 5.4). Os dons como ministérios serão abordados nas presentes Lições Bíblicas da CPAD a partir da lição 6.

 

De modo geral, todos os dons são dados à igreja para o que for útil (1 Co 12.7; 14.28). E, por isso mesmo, não devemos ignorá-los ou desprezá-los (1 Co 12.1; 1 Ts 5.19,20; At 19.1-7). É o Senhor quem nos concede essas dádivas, “segundo a graça” (Rm 12.6). E, como essas dotações são, primacialmente, para a edificação do povo de Deus (1 Co 14.26), não devem ser mal utilizadas, sem decência e ordem, no culto genuinamente pentecostal (1 Co 14.37-40).

 

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O uso correto dos dons espirituais

Seg, 16/04/2018 por

A Igreja Assembleia de Deus pauta sua liturgia nos textos paulinos. O apóstolo orienta os crentes a procurar “com zelo os melhores dons” (1Coríntios 12.31), e na concepção paulina os melhores dons são aqueles que mais edificam a Igreja (1Coríntios 14.5).

 

Assim, na liturgia assembleiana, aquele que tem o dom de “variedades de línguas” é exortado a orar para que possa interpretar (1Coríntios 14.13). Se não houver intérprete, deve ficar calado (1Coríntios 14.28), pois o que fala língua estranha sem interpretação não edifica a Igreja (1Coríntios 14.3) [1].

 

Ainda seguindo a orientação de Paulo, é preciso manter a ordem no falar línguas em voz alta durante o culto. Isso deve ser feito por dois ou no máximo três fiéis (1Coríntios 14.27-28). As orientacões também fazem referência ao uso do dom de profecia. O apóstolo considera como profecia a “fala aos homens para edificação, exortação e consolação” (1Coríntios 14.3). Por isso a preocupação com o uso desse dom: “falem dois ou três profetas, e os outros julguem” (1Coríntios14.29).

 

A orientação é ouvir com atenção e atentar para ver se a profecia procede ou não de Deus. Em 1 Coríntios (1Coríntios 14.30) , o apóstolo permite que um profeta interrompa o outro, porquanto todos podem profetizar uns depois dos outros, pois os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas  (1Coríntios 14.32). Aqueles que não possuem esse autocontrole são considerados meninos de entendimento (1Coríntios 14.20).

 

Assim, de acordo com os escritos da Nova Aliança, a Assembleia de Deus considera que os dons espirituais estão disponíveis à Igreja e que o dom da profecia também é contemporânero, mas deve estar sujeito ao ensino autorizado das Escrituras, pois na Igreja primitiva não eram as profecias que mostravam a direção à Igreja, e sim o ensino contínuo da Palavra de Deus (1Timóteo 4.11; 6.2; 1Coríntios 4.17; 2Tessalonicenses 2.15).

 

Pense Nisso!

 

Douglas Roberto de Almeida Baptista

 

 

 

Fonte: BAPTISTA, Douglas Roberto de Almeida. História das Assembleias de Deus: o grande movimento pentecostal do Brasil. Curitiba: Intersaberes, 2017. p. 254, 255.

 

 _________________

 

[1] A Assembleia de Deus no Brasil tem uma interpretação que difere o “falar línguas estranhas” como evidência inicial do batismo no Espírito Santo do dom espiritual “variedades de línguas”. Este último dom obedece à orientação paulina e requer interpretação para a edificação da Igreja, porém o “falar línguas estranhas” como batismo ou renovação no Espírito Santo é compreendido como o agir de Deus que visa à edificação pessoal do crente, e nesse caso não se requer interpretação nem mesmo repreensão (HORTON, Stanley. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996, p. 476).

 

 

OS DONS ESPIRITUAIS E A BILIA (2)

 

Apolo era um pregador — ele tinha o ministério, o dom ministerial, de pregador da Palavra, assim como Paulo (1 Tm 2.7) —, porém não era batizado com o Espírito, ao contrário do mencionado apóstolo (cf. At 18.24-19.6). Há vários ministros, pertencentes a denominações evangélicas não-pentecostais, que, à semelhança de Apolo, foram chamados por Deus, desempenham um ministério, a despeito de não conhecerem o batismo com o Espírito Santo. Os dons espirituais, como manifestações momentâneas, esporádicas, estão à disposição de todos os salvos batizados com o Espírito. Mas não devem ser confundidos com o fruto do Espírito. Na verdade, os dons e o fruto se completam. Neste segundo artigo da série sobre os dons espirituais, conheceremos as principais diferenças entre as aludidas ministrações espirituais momentâneas e o fruto do Espírito Santo no que tange a: quantidade, forma de recebimento, origem, forma de manifestação, duração, momento do recebimento, qualidade, finalidade e importância.

 

  1. Quanto à quantidade. Os dons são muitos, e não apenas nove, como muitos pensam. Segundo a Bíblia, há diversidade de dons, ministérios e operações (1 Co 12.6-11,28; etc.). O fruto do Espírito também não deve ser quantificado. Quem afirma que são apenas nove os elementos formadores do fruto toma como base apenas Gálatas 5.22. Mas há várias outras passagens que tratam dessa doutrina paracletológica (Ef 5.9; Cl 3; 1 Pe 5.5; 2 Pe 1.5-9, etc.).

 

  1. Quanto à forma de recebimento. Os dons são repartidos para a igreja, coletivamente, para edificação dela. O fruto do Espírito — que não deve ser reduzido a uma lista de virtudes, haja vista tratar-se do Espírito Santo agindo na vida do crente, a fim de mudar o seu interior, o seu caráter — é produzido na vida de cada servo do Senhor que dá lugar ao Consolador.

 

  1. Quanto à origem. Os dons espirituais vêm do alto sobre a igreja. O fruto tem origem no interior de cada crente espiritual.

 

  1. Quanto à forma de manifestação. Os dons vêm sobre os crentes, conferindo-lhes unção poderosa (capacitação) para pensar, interpretar, discernir, pregar, orar, ajudar, etc. O fruto manifesta-se em cada crente de dentro para fora, através de virtudes como amor, alegria, paz, humildade, etc.

 

  1. Quanto à duração. Os dons como manifestações — e não como ministérios, repito — são momentâneos. O fruto permanece na vida do crente. Mas precisa amadurecer a cada dia.

 

  1. Quanto ao momento do recebimento. Os dons espirituais manifestam-se na vida dos servos do Senhor a partir do batismo com o Espírito Santo, como vemos em Atos caps. 2, 10 e 19, especialmente. “O batismo é também um meio para a outorga por Deus dos dons espirituais — 'falavam línguas e profetizavam'” (GILBERTO, Antonio. Verdades Pentecostais, CPAD, p.64). Já o fruto manifesta-se no crente a partir da sua conversão (Ef 1.13,14). O fruto, portanto, como já disse, é o Espírito Santo agindo na vida do crente, a partir do primeiro momento de sua salvação, para moldar o seu caráter (Gl 5.22; 2 Pe 1.5-9, etc.).

 

  1. Quanto à qualidade. Os dons espirituais são perfeitos, embora muitas pessoas façam mau uso deles. Já o fruto precisa amadurecer. Este amadurecimento do fruto produzido no crente pelo Espírito ocorre gradativamente, de acordo com a disposição do coração do salvo. Trata-se do aperfeiçoamento espiritual (2 Tm 3.16,17; Ef 4.11-15).

 

  1. Quanto à finalidade. Os dons são manifestações para edificação da igreja. O fruto do Espírito tem como finalidade o desenvolvimento do caráter de cada crente. A igreja de Corinto era pentecostal (1 Co 1.7; caps. 12-14). Todos os dons, ministérios e operações divinos tinham lugar ali (1 Co 12.4-6). Contudo, ela estava envolvida em diversos problemas (1 Co 1.10; 6.1-11; 11.18), pecados morais graves (1 Co 5), além da desordem no culto (1 Co 11.17-19). Os coríntios eram imaturos e carnais (1 Co 3.1-4).Se dermos ênfase apenas aos dons como manifestações esporádicas, em detrimento do fruto do Espírito, males ocorrerão na igreja, como: dissensão, carnalidade, egoísmo, desordem e indecência. O partidarismo na igreja de Corinto decorria da falta de amadurecimento do fruto do Espírito (1 Co 11.18; 1.10-13; 3.4-6). O termo “dissensões” (1 Co 1.10; 11.17) descreve a destruição da unidade cristã por meio da carnalidade. Em vez de gratidão a Deus, para promover a comunhão e “guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz” (Ef 4.3), os coríntios se reuniam para o culto com espírito faccioso.

 

  1. Quanto à importância. Em Corinto, havia muita carnalidade porque os crentes daquela igreja não priorizavam o fruto do Espírito (1 Co 3.1-3). Havia membros daquela igreja controlados pelo Espírito Santo (1 Co 1.4-9; Rm 8.14), mas muitos eram carnais (1 Co 13.1). Carnal é o crente cuja vida não é regida pelo Espírito (Rm 8.5-8); que tem muita dificuldade de entender os assuntos espirituais (1 Co 2.14); que vive em contendas, etc. Por não cultivarem o fruto do Espírito, os coríntios eram egoístas (1 Co 11.21). Na liturgia da igreja primitiva era comum a Ceia do Senhor ser precedida por um evento festivo denominado agápe (e não ágape) ou “festa do amor” (2 Pe 2.13; Jd v.12). No entanto, alguns crentes, em vez de fortalecerem o amor e a unidade cristã antes da Ceia do Senhor, embriagavam-se.

 

Segundo a Bíblia, todos os crentes (batizados com o Espírito, é evidente) podem, no culto, falar em línguas ou profetizar (1 Co 14.5ss). Mas ela também nos ensina a exercer esses dons com sabedoria, ordem e decência (1 Co 14.26-33,37-40), a fim de que: o nome do Senhor seja glorificado (1 Co 14.25); o incrédulo convencido de seus pecados (1 Co 14.22-25); e a igreja edificada (1 Co 14.26). É imprescindível o casamento entre o fruto do Espírito e os dons espirituais. Afinal, o espírito do profeta deve estar sujeito ao profeta. Em outras palavras, o crente controlado pelo Espírito é usado por Deus, mas tem equilíbrio, domínio próprio e discernimento. O fruto do Espírito amadurecido na vida do crente impede-o de abraçar aberrações pseudopentecostais como “cai-cai”, “unção do riso”, etc.

 

 

 

 

 

 

Os dons espirituais à luz das Escrituras (3)

A primeira categoria é a dos dons de elocução ou verbais: profecia, variedade de línguas e interpretação das línguas. Por meio da profecia, o crente usado pelo Espírito transmite uma mensagem divina, momentânea e sobrenatural, para a igreja (1 Co 14.4,5,22). Pela variedade de línguas, o salvo apresenta à igreja uma mensagem divina, sobrenatural, em línguas que ele jamais estudou ou aprendeu. Tal mensagem precisa de interpretação, a menos que o Senhor queira falar com pessoas em suas próprias línguas, como ocorreu no dia de Pentecostes (At 2.7-13). E, mediante a interpretação das línguas, os salvos são capacitados, sobrenaturalmente, a interpretarem as tais línguas desconhecidas — isto é, estranhas a quem as pronuncia.

 

Não se deve confundir as línguas como evidência inicial do batismo com o Espírito Santo com o dom de variedade de línguas. No Novo Testamento, as línguas dadas pelo Espírito Santo são apresentadas com quatro finalidades distintas. Primeiro, como evidência inicial do batismo com o Espírito Santo (At 2.1-8; 10.44-46; 19.6; 9.18; 1 Co 14.18). Segundo, as línguas são dadas pelo Consolador para edificação do próprio crente que as pronuncia (1 Co 14.4). Terceiro, elas são úteis para a oração em espírito ou “pelo Espírito [gr. pneumati]” (1 Co 14.2,14-16; Ef 6.18; Rm 8.26). E, quarto, há línguas que contêm uma mensagem profética, isto é, o dom de variedade de línguas. Quando alguém é usado pelo Espírito com esse dom, dirige-se à igreja em línguas estranhas (1 Co 12.29,30). Contudo, se não houver interpretação, o tal deve se calar (1 Co 14.5,13,27,28).

 

Na segunda categoria de dons como manifestações momentâneas estão os dons de inspiração ou de saber. A palavra da sabedoria não consiste em sabedoria, em si, mas em um modo sábio de falar. Trata-se de uma capacidade sobrenatural dada pelo Espírito em várias circunstâncias. A palavra da ciência é um dom ligado ao ministério do ensino, uma capacidade sobrenatural que leva o crente a conhecer as profundezas e os mistérios de Deus (cf. 1 Co 2.9,10). O discernimento dos espíritos, por sua vez, é a capacidade sobrenatural para discernir a natureza, o caráter e a origem dos espíritos (1 Jo 4.1). O termo original denota pluralidade: “discernimentos”.

 

É importante observar que a palavra da sabedoria não resulta de qualquer esforço humano; trata-se de um dom de Deus, uma manifestação de sabedoria sobrenatural, pelo Espírito. Na prática, é uma habilidade pela qual se aplica o conhecimento, sendo necessário para o governo da igreja, o pastoreio, a administração, a liderança, etc. (1 Co 2.4-7; Gn 41.38,39; Êx 4.12,15; Dt 34.9; 1 Rs 3.8; 4.29,30; At 4.13; 6.6,10; 1 Co 2.13; Lc 12.11,12). Já a palavra da ciência é um dom pelo qual se manifesta a ciência (ou o conhecimento) sobrenatural, pelo Espírito Santo, possibilitando o conhecimento de fatos, de causas, de ensinamentos, etc. (Êx 31.3; Dn 1.4; 1 Rs 7.14; At 20.23). Quanto ao discernimento de espíritos, trata-se de um dom de saber, de maneira sobrenatural, pelo Espírito, por meio do qual a igreja é protegida de todo engano do Inimigo e dos homens (At 16.7 com 1 Ts 2.16,17; 1 Tm 4.1; Tt 1.10).

 

Por meio dos aludidos dons de saber, pode-se discernir: a fonte de inspiração, que pode ser divina (At 15.32; 1 Co 14.3), humana (Ez 13.2,3) ou diabólica (1 Rs 22.19-24; Jr 23.13; At 16.17,18; Ap 2.20-24); os espíritos, dos quais provêm falsas doutrinas e fenômenos que geram confusão (1 Jo 4.1; At 16.16-18; 2 Co 11.4; Gl 1.8; 1 Tm 4.1; 2 Ts 2.9); confissões falsas (At 5.1-11); trapaças (2 Rs 5.26,27); intenções (At 8.18-24), etc.

 

A terceira categoria é a dos dons de poder: fé, operação de maravilhas e dons de curar. Pelo dom da fé, o crente é capacitado, sobrenaturalmente, a crer em Deus. Já a operação de maravilhas é a capacidade sobrenatural para a realização de atos que vão além da capacidade humana. Por meio dos dons de curar, o Senhor cura enfermos e doentes. Os dons de poder são operações extraordinárias realizadas pelo Espírito Santo.

 

O Senhor cura e faz prodígios, hoje, pois não mudou (Hb 13.8). Somente o Espírito de Deus faz milagres, de fato (Êx 3.20; 7.3,4; Jl 2.30; Hb 2.4), e com as seguintes finalidades: autenticar, confirmar e comprovar a pregação do evangelho (Mc 16.15-20; Dt 29.3; Hc 2.4); manifestar a glória do Senhor e levar o povo a crer mais e mais em Jesus, dando cumprimento à Palavra profética (Jo 2.11; Mt 8.17; Êx 8.16-19; Jo 9.1-25; At 3.1-16; 9.36-43; 13.6-12; 14.8-13); desfazer as obras do Diabo (1 Jo 3.8; Lc 13.16; At 10.38); e honrar os verdadeiros servos de Deus (Nm 16.28-32; 1 Rs 17.22; 18.38; 2 Rs 6.5).

 

 

 

Os dons espirituais à luz das Escrituras (4)

 

O que são as línguas estranhas e a interpretação delas? No contexto dos dons espirituais, falar noutras línguas é uma manifestação do Espírito; portanto, elas não são aprendidas, mas vêm de modo sobrenatural, sendo estranhas, desconhecidas, aos que as pronunciam. A promessa do batismo com o Espírito, com a evidência de falar noutras línguas, é mencionada nos dois Testamentos (Is 28.11,12; 44.3; Jl 2.28,29 com At 2.14-17; Mt 3.11; Lc 24.49; At 1.8). E o cumprimento dessa promessa começou no dia de Pentecostes (At 2.1-4). Há relatos históricos de que tal evidência ocorreu nas vidas dos crentes da Igreja Primitiva (At 4.31; 8.15-17; 10.44-48; 19.1-7), bem como nas de outros salvos, ao longo da História. A promessa do revestimento de poder, com a evidência de falar noutras línguas, é para hoje (At 2.39; 11.15; Hb 13.8), haja vista a “dispensação do Espírito” estar em curso (2 Co 3.8).

 

Qual é a utilidade das línguas estranhas? Primeiro: elas são a evidência inicial do batismo com o Espírito Santo (At 2.1-8; 10.44-46; 19.6; 9.18; 1 Co 14.18). Segundo: elas edificam o crente (1 Co 14.4). Terceiro: elas são dadas pelo Espírito ao crente a fim de capacitá-lo a orar em espírito — ou “pelo Espírito [gr. pneumati]” (1 Co 14.2,14-16; Ef 6.18; Rm 8.26). Quarto: elas são dadas pelo Consolador como uma mensagem profética (dom de variedade de línguas), em conexão com o dom de interpretação das línguas. O crente, ao receber momentaneamente a variedade de línguas, dirige-se à igreja (1 Co 12.29,30), mas sua mensagem precisa de interpretação (1 Co 14.5,13,27,28).

 

Como deve ser o uso das línguas estranhas no culto? Primeiro: deve haver autocontrole. O crente, quando fala em línguas que não são mensagens proféticas, deve se controlar, pois não fala aos homens, e sim a Deus (1 Co 14.2), edificando-se a si mesmo (1 Co 14.4,19). É errado falar em línguas só para mostrar aos outros que é pentecostal. Todos podem e devem falar em línguas (1 Co 14.5,39), mas sem exageros (1 Co 14.8,9). Segundo: é necessário que haja ordem. Quando um irmão estiver sendo usado em profecia, não deve outro falar em línguas em tom alto, visto que isso gera confusão e desordem (1 Co 14.33). Há momento de falar “de Deus” (audivelmente), e momento de falar “com Deus” (em tom baixo). No culto, deve haver duas ou três mensagens proféticas, umas depois das outras, com ordem (1 Co 14.29-31).

 

Em terceiro lugar, deve haver decência (1 Co 14.40). Decência diz respeito à conformidade com padrões morais e éticos; envolve dignidade, correção, decoro, modéstia, honradez, honestidade. Quarto: é preciso haver harmonia. O dom de variedade de línguas só é útil em conexão com o de interpretação das línguas. Quem fala em línguas deve se calar, caso não haja intérprete (1 Co 14.13,28).

 

O que é o dom de profecia? É uma capacitação momentânea para se transmitir uma mensagem específica de Deus através de uma inspiração direta do Espírito Santo (1 Co 14.30; 2 Pe 1.21). Trata-se de uma manifestação sobrenatural, cuja função precípua é a edificação da igreja (1 Co 14.4). Nos tempos do Antigo Testamento, os profetas eram intermediários entre Deus e o povo (1 Sm 3.20; 8.21,22; 9.6,9,18-20). Esse tipo de ministério profético durou até João Batista (Lc 16.16). Hoje, o profeta não é mais uma espécie de mediador. E ninguém precisa consultar profetas, e sim ao Senhor, diretamente (1 Tm 2.5; Ef 2.13; Hb 10.19-22; Gl 6.16; Fp 4.6).

 

Deve-se fazer uma distinção entre o ministério profético e o dom de profecia. Tanto o portador deste quanto o ministro são chamados de “profeta” (1 Co 14.29; Ef 4.11), mas há diferenças entre ambos. Primeiro, quando ao modo da concessão: o dom de profecia pode ser concedido a quem o busca (1 Co 14.1,5,24,31); já o ministério depende de chamada divina (Mc 3.13; Ef 4.11). Segundo, quanto ao uso: o dom de profecia decorre de uma inspiração momentânea, sobrenatural (1 Co 14.30); o ministério profético está relacionado com a pregação da Palavra de Deus (At 11.27,28; 15.32; 13.1). O dom de profecia era uma realidade nos dias da igreja primitiva (At 19.6; 21.9; 1 Co 14). Ali, o ministério profético e o dom de profecia, às vezes, eram intercambiáveis (At 21.8-10).

 

Por que vemos poucas manifestações do dom em apreço em nossos dias? Isso ocorre, primeiramente, por causa da ignorância. Pouco se fala nas igrejas acerca desse dom, como ocorria em Éfeso (At 19.2,3). Segundo: tem havido uma substituição. Coisas supérfluas têm ocupado o lugar que devia ser destinado à manifestação do Espírito no culto (1 Co 14.26). Terceiro: existe uma apatia espiritual, inclusive nas igrejas ditas pentecostais. Em muitos lugares não tem havido lugar para o Espírito operar (1 Ts 5.19). Quarto: há muito receio. Líderes há que, preocupados com as “meninices”, têm desprezado as profecias (1 Ts 5.20), esquecendo-se de que devem ensinar os “meninos” quanto ao uso correto desse dom (1 Co 14.22-24,28-30; 13.11).

 

Como julgar a profecia? Primeiro, segundo a reta justiça (Jo 7.24); isto é, por meio da Palavra de Deus (Jo 17.17; At 17.11; Hb 5.12-14). Segundo, mediante a sintonia do Corpo com a Cabeça (Ef 4.14,15; 1 Co 2.16; 1 Jo 2.20,27; Nm 9.15-22; Jo 10.4,5,27). Terceiro, pelo dom de discernir os espíritos (1 Co 12.10,11; At 13.6-11; 16.1-18). Quarto, através do bom senso (1 Co 14.33; At 9.10,11). Quinto, pelo cumprimento da predição (Ez 33.33; Dt 18.21,22; Jr 28.9), conquanto apenas isso não seja suficiente; Deus permite que, em alguns casos, predições de falsos profetas se cumpram (Dt 13.1-4). Finalmente, o julgamento deve se dar com base na vida do profeta (2 Tm 2.20,21; Gl 5.22). Tem ele uma vida de devoção a Deus? Ele honra a Cristo em tudo? Demonstra amar e seguir a Palavra do Senhor? Ama os pecadores e deseja vê-los salvos? Detesta o mal e ama justiça? Prega contra o pecado, defende o Evangelho de Cristo e conduz a igreja à santificação? Repudia a avareza?

 

Quais são as funções do dom de profecia? Primeiro: edificação. A Igreja é comparada a um edifício, e o Senhor Jesus é o seu fundamento (1 Co 3.10,12,14; Ef 2.22). Os salvos são pedras desse edifício (1 Pe 2.5), e a profecia é um dos meios pelos quais eles são edificados (1 Co 14.3,4,12,17). Segundo: exortação. Por meio da profecia, o crente é incentivado, despertado, fortalecido na fé (1 Co 14.3). Terceiro: consolação. O Senhor se utiliza desse dom para consolar o crente com palavras semelhantes às de Deuteronômio 31.8 ou Isaías 41.10; 45.1-3. Quarto: sinal para os incrédulos. Esse dom é de grande valia para convencer os descrentes (1 Co 14.20,22-25).

 

Finalmente, deve-se observar que os dons de elocução não têm autoridade canônica; não se manifestam para alterar ou contradizer o que está escrito na Bíblia Sagrada (2 Pe 1.21; 1 Tm 4.9; Jo 17.17; Sl 119.142,160; Ap 22.18,19; Pv 30.6). Eles também não são prioritários para o governo da igreja. As finalidades principais dos dons de saber, de modo geral, são: edificar, exortar e consolar (1 Co 14.3). O Espírito orienta a igreja por meio dos dons espirituais (At 13.1-3; 16.6-10), mas o ministério eclesiástico não deve se subordinar a “profetas” (Ap 2.20-22; At 11.28-30; 15.14-30). É uma prática antibíblica consultar profetas em nossos dias, pedindo respostas quanto a casamentos, viagens, negócios, etc. Os dons em apreço devem ser usados “na igreja” (1 Co 14.3,13,26,28).

 FONTE CPADNEWS /WWW.MAURICIOBERWALD.COMUNIDADES.NET