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O PROPÓSITO DOS DONS (6)
O PROPÓSITO DOS DONS (6)

 

 

O PROPÓSITO DOS DONS (6)

 

A partir de hoje, estarei fornecendo alguns subsídios extras às lições deste trimestre, da qual, pela graça de Deus, sou o comentarista. Havendo alguma dúvida, por favor, entre em contato comigo. Será um prazer ouvi-lo. Desta forma, poderemos, com a sua ajuda, aprender ainda mais do maravilhoso livro de Gênesis.

 

 

A Classificação dos Dons (4.11)

Tudo indica que Paulo, quando escreveu estas palavras, tinha em mente a lista dos ministérios relacionados em 1 Coríntios 12.28. A passagem coríntia compreende uma lista mais longa de dons espirituais (charismata). Mas nesta passagem, Paulo está interessado em apresentar os ofícios necessários para a expansão e sustento da igreja. Cristo deu à igreja os apóstolos: os ministros supremos, os doze que haviam visto o Senhor ressurreto e recebido suas tarefas diretamente dele. Os profetas têm posição proximal à dos apóstolos, e o seu dom especial era o de ministério inspirado. Foulkes afirma que a função primária dos profetas era similar à dos profetas do Antigo Testamento: “anunciar” a palavra de Deus. Porém, ocasionalmente prediziam acontecimentos futuros, como em Atos 11.28 e 21.9,ll. Os evangelistas eram pregadores itinerantes, que iam de lugar em lugar para ganhar os incrédulos (cf. 2 Tm 4.5), de modo muito semelhante como se faz hoje.

Certos intérpretes sugerem que as primeiras três categorias se aplicam à igreja universal, ao passo que as outras duas se ajustam especificamente à igreja local. Pastores são pastores de um rebanho de comunicantes; a palavra grega (poimen) empregada aqui significa, literalmente, “pastor de ovelhas”. A tarefa dos pastores é alimentar o rebanho e protegê-lo dos perigos espirituais. Doutores pode ser uma outra função do pastor. Bruce afirma que estes dois termos “denotam a mesma e uma única classe de homens”. Contudo, pode ser que os doutores representem uma classe de responsabilidade um tanto quanto menor que os pastores, mas que, mesmo assim, detêm lugar especial na igreja. Os cinco ministérios são concedidos pelo Espírito e dados por Cristo à sua igreja.

O Propósito dos Dons (4.12-16)

Falando principalmente da vida interior da comunidade cristã, Paulo descreve o propósito para o qual Cristo deu à igreja estes ministérios. Pelo menos quatro dimensões do propósito divino são distinguíveis.

  1. a) Estes ministérios são dados para edificar ou construir o corpo de Cristo (12). As três frases neste versículo, cada uma separada por uma vírgula (RC), dão a impressão de que o apóstolo expressa um propósito triplo. No idioma original, a ênfase está na última frase: “Ele fez isso para preparar o povo de Deus para o serviço cristão, a fim de construir o corpo de Cristo” (NTLH). O objetivo destes servos especiais é ocasionar um aperfeiçoamento (katartismos, lit., “adaptação” ou “equipamento”) para a obra do ministério (diakonias). A expectativa é que haverá um trabalho ativo e frutífero para o Senhor, com o resultado de que a igreja será edificada. A medida que as almas são ganhas, a vida da comunidade se aprofunda e se fortalece pelo serviço unificador da igreja.
  2. b) Estes dons ministeriais são dados para promover maturidade. O versículo 13 rememora o anterior e oferece explicação adicional da “edificação” da igreja. Uma vez mais, Paulo usa três frases, cada uma iniciada com a preposição grega eis: 1) à unidade da fé; 2) a varão perfeito; 3) à medida da estatura completa de Cristo. Estas não são ideias paralelas. A primeira fala do meio da maturidade, a segunda fala da realidade da maturidade e a terceira fala da medida da maturidade. Uma tradução melhor do versículo seria esta: “Assim, todos finalmente atingiremos a unidade inerente em nossa fé e em nosso conhecimento do Filho de Deus, e chegaremos à maturidade, medida por nada menos que a estatura completa de Cristo” (NEB).

A unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus constitui o meio do amadurecimento (cf. RA). A unidade é um dom do Espírito (cf. 3), mas requer-se fé e conhecimento para recebê-la. Neste texto, a fé é a resposta que damos ao Filho de Deus e a nossa confiança nele — Deus manifestado na carne que morreu no Calvário em nosso benefício. Aqui, conhecimento (epignosis) é semelhante à fé no ponto em que significa “compreensão, familiaridade, discernimento”. Não devemos equipará-lo a conhecimento intelectual, mas a relações pessoais. A unidade se origina dessa intimidade com o Filho proporcionada pela graça. Paulo não está falando da experiência inicial com Cristo. O apóstolo se preocupa com o crescimento e aumento em entendimento e compreensão dos propósitos e vontade de Deus conforme estão revelados em associação com Cristo. Os membros da igreja podem e devem ter tal crescimento em maior medida enquanto o servem.

A varão perfeito refere-se ao nível de maturidade coletiva e individual na igreja, no qual o poder de Deus se manifesta inteiramente em santidade e justiça. Tal estado será atingido em seu significado máximo futuramente, quando possuirmos a graça de Cristo na perfeição da ressurreição (cf. Fp 3.7-16).

A medida da estatura completa de Cristo é o padrão de medida que determina a maturidade cristã. Hodge escreve: “A igreja se torna adulta, homem perfeito, quando alcança a perfeição de Cristo”. A chave para interpretar o versículo é a expressão estatura completa de Cristo. Qual é esta estatura? Salmond diz que é “a soma das qualidades que fazem o que ele é”. Quando a igreja está à altura da maturidade plena do seu Senhor, ela é perfeita. E à medida que cresce em direção a essa maturidade, ela fica mais próxima de sua meta em Cristo. Precisamos também destacar que não há crescimento na igreja separadamente de nosso crescimento individual como crente. É cada um de nós individualmente que tem de se dirigir com empenho à estatura completa de Cristo.

  1. c) Estes ministérios são dados para garantir a estabilidade na igreja diante de doutrinas divergentes e do engano de homens (14). Esta é consequência natural da maturidade, como Paulo indica por sua frase introdutória: Para que não sejamos mais meninos. Uma das evidências claras de imaturidade é a incapacidade de resistir, de forma inteligente e espiritual, as declarações das falsas doutrinas. As palavras de Paulo são pitorescas. O termo inconstantes só ocorre aqui no Novo Testamento e é derivado de kludon (“vagalhão” ou “onda”). Por conseguinte, o verbo significa literalmente “ser lançado pelas ondas”. Cristãos imaturos são como barcos açoitados pela tempestade. Levados em roda vem da palavra gregaperiphero, que tem a ideia de oscilar violentamente. Boas traduções dos dois termos são: “levados de um lado para outro pelas ondas” e “jogados para cá e para lá por toda nova rajada de ensino” (cf. BJ, NVI). Atarefa dos ministros é pôr mão forte no leme da igreja, mantê-la firme e fornecer o lastro doutrinário mediante um ministério fiel de pregação e ensino.

Aqueles que introduzem falsos ensinos, nos quais os crentes instáveis caem vítimas, enganam a si mesmos e também enganam fraudulosamente os outros. Esta fase é mais bem traduzida por “fazem uso de todo tipo de dispositivo inconstante para induzir ao erro” (Weymouth). Eles usam de engano (lit., “jogo de dados”). Metaforicamente, veio a significar “artimanha” (BJ, RA). Moule declara corretamente o aviso de Paulo: “Há pessoas próximas de vós que não só vos desviam, mas o fazem de propósito, pondo armadilhas premeditadas e organizando métodos bem-elaborados, com o objetivo de afastá-los de Cristo a quem eles não amam”. A única proteção adequada contra a sutileza da heresia é uma fé crescente e um conhecimento progressivo da verdade. Os ministros têm de proporcionar a oportunidade de tal maturação para assim garantir a estabilidade na igreja.

  1. d) Estes ministérios são dados para possibilitar o crescimento em Cristo. Seguindo a verdade (15) é derivado do verbo grego aletheuo, geralmente traduzido por “falar a verdade” (cf. CH, NTLH). Mas há mais no pensamento de Paulo do que proferir sons articulados. Ele pensa em termos de viver e agir. Dale comenta: “A verdade tem de ser a vida de todos os cristãos. A revelação de Deus em Cristo tem de influenciar e inspirar todas as atividades dos cristãos. A verdade tinha de se encarnar nos efésios, tinha de se corporificar neles. [...] Não era apenas para falar, mas para vivenciá-la”. E esta vida era para ser vivida em caridade (“em amor”, ACF, AEC, BAB, BJ, CH, NVI, RA), quer dizer, com os motivos e inclinações que o amor evoca. As pessoas confessam e vivem asperamente certa porção de verdade, mas a comunidade cristã sempre tem de se expressar em amor. O resultado será o movimento progressivo em direção à perfeição de Cristo, a cabeça da igreja. Repare que esta ideia é essencialmente idêntica ao pensamento do versículo 13. Além disso, esta ação positiva é a melhor defesa contra os efeitos do erro descritos no versículo 14.

No versículo 16, o apóstolo retorna à analogia do corpo e se serve disso para enfatizar a unidade que Cristo, a cabeça, traz para a igreja. Ele visualiza a estrutura maravilhosa e intricada do corpo humano com suas partes unidas de modo bem ajustado e ligado (“bem unido e consolidado”, NEB). Na analogia, juntas referem-se aos ligamentos pelos quais as partes do corpo se unem. Quando o corpo está funcionando segundo ajusta operação de cada parte, quer dizer, quando cada parte é ativada de acordo com o seu propósito, a harmonia prevalece e o crescimento é certo. Cristo é, obviamente, o centro e a origem de toda a vida espiritual. Ele dá “coesão e poder vital para o crescimento”.40 Este crescimento resulta na edificação ou “construção” (BAB) da igreja em amor (cf. 1.4; 3.17; 4.2; 5.2). A estrutura tem a ver principalmente com o desenvolvimento espiritual interno, mas quando a igreja é interiormente forte ela aumenta numericamente.

Em suma, Paulo vê a unidade da igreja em termos orgânicos e não organizacionais. A verdadeira unidade é interior e resultado de um organismo saudável. O Espírito cria essa unidade; não é obra de homens, por mais inteligentes ou apessoados que sejam. Quando esta unidade prevalece, compartilhada por cada membro e motivada pela fidelidade de ministros talentosos, a igreja cresce em simetria e beleza, para espanto do mundo não-crente.

Nos versículos 4 a 16, o pensamento da medida da estatura completa de Cristo sugere o tema “O Alvo Ultimo do Cristão”. 1) O meio para esse fim. Ensinar e pregar a Palavra de Deus, 11,12; 2) O compêndio do ideal, 4-7,15. A fé incorporada e o corpo incorporado, 16; 3) A proximidade da meta num caráter estável, 14. Cristo no trono do coração. A igreja unida (G. B. Williamson).

Willard H. Taylor. Comentário Bíblico Beacon. Editora CPAD. Vol. 9. pag. 160-163.

III - CORINTO: UMA IGREJA PROBLEMÁTICA NA ADMINISTRAÇÃO DOS DONS ESPIRITUAIS (1 Co 12.1-11)

  1. Os dons são importantes.

OBJETIVOS DOS DONS

Glorificação de Jesus Jo. 16: 14 Ele me glorificará porque há de receber do que é meu, e vo-lo há de anunciar.

Expansão do Evangelho Rom. 15: 19 Por força de sinais e prodígios, pelo poder do Espírito Santo; de maneira que desde Jerusalém e circunvizinhanças, até ao Ilirico, tenho divulgado o evangelho de Cristo.

Edificação da Igreja I Cor. 14: 12 Assim também vós, visto que desejais dons espirituais, procurai progredir, para a edificação da Igreja.

Confirmação da Palavra Mc. 16: 20 E eles, tendo partido, pregaram a em toda parte, cooperando com eles o Senhor, e confirmando a palavra por meio de sinais, que se seguiam.

FATBI. Faculdade Teológica Bereana Internacional Módulo De Teologia Sistemática Curso Bacharelado Em Teologia.

Agora o apóstolo mostra como se manifestavam os vários dons do Espírito, nos quais a congregação era tão rica, e qual o propósito que eles deviam guardar em mente: Mas a cada um (cristão) está sendo dada a manifestação do Espírito visando o proveito comum. Ele fala de  modo muito geral, afirmando que cada cristão possui algum dom da graça, um dom que não foi meramente derramado sobre ele em certa ocasião no vago e distante passado, mas que lhe é concedido dia após dia. Por isso, seu alvo e objetivo não é servir ao engrandecimento e gozo pessoal, mas ser colocado à disposição e ao ministério do proveito espiritual da congregação inteira e da igreja. Cada cristão devia revelar-se um bom despenseiro da multiforme graça de Deus, 1.Pe. 4. 10; Mt. 25. 14-30.

Paulo mostra por meio de certo número de exemplos como exatamente os talentos espirituais dos cristãos individuais deviam servir para o benefício da congregação toda: A um foi dada pelo Espírito, por meio do Seu poder, a palavra de sabedoria. Teve um saber excepcionalmente completo das grandes verdades da Escritura, ou seja, do mistério do evangelho,

da palavra da cruz, e de modo claro e convincente pôde expô-las em seu conjunto. Mas a outro foi dada a palavra de conhecimento, segundo o mesmo Espírito, orientado pelo Seu poder. Teve o dom de aplicar a palavra de Deus a casos individuais na vida, lançar de modo apropriado luz sobre eles, fazer as conclusões corretas na base dum claro conhecimento. O saber é mais teórico, conhecimento é mais prático. São estas em especial as qualificações do professor e pastor.

Na segunda série de dons, a um outro é dada fé, no mesmo Espírito, unicamente no Seu poder e outorga. Não é aquela fé que aceita a salvação em Cristo, ou seja, não a fé que justifica, mas uma confiança forte e inabalável no Deus onipotente ou no poder de Cristo, como algo capaz de se revelar em feitos extraordinários e realizar o que aos homens parece impossível.18) Este dom de fé heróica foi especialmente necessária nos dias antigos da igreja, mas desde então apareceu em muitos servos do Senhor, que, com a assistência do Senhor, realizaram o aparentemente sobrenatural. A um outro foram dados na concessão do mesmo Espírito os dons das curas. Nos dias antigos houve cristãos que foram capazes de curar os doentes sem o uso de medicamentos e para realizar outras coisas milagrosas, como sejam: ressuscitar os mortos, castigar os maus por meio duma manifestação extraordinária da ira de Deus, como no caso de Ananias e Safira, Elimas, etc. Com estes dons estiveram intimamente ligados os atos de poder, e a operação de milagres em geral.

Paulo menciona no terceiro grupo de dons, que a outro cristão é dada profecia, o que não só inclui a habilidade de ver o futuro e pré-anunciar eventos vindouros, mas também a de aplicar a palavra de Deus no ensino e na admoestação. “A profecia é que alguém pode interpretar e explicar corretamente a Escritura, e dela comprovar, de modo vigoroso, a doutrina da fé e a doutrina falsa; por meio dela também admoestar o povo, ameaçar ou fortalecer e confortar, indicando, enquanto isto, a ira vindoura, o castigo e a vingança sobre os descrentes e desobedientes, e, por outro, o socorro divino e a recompensa para os cristãos e piedosos; assim como os profetas o fizeram à base da palavra de Deus, tanto da lei como das promessas.”19) A outro é dado o discernir espíritos, que é a capacidade de, rapidamente, distinguir entre verdadeiros e falsos mestres, 2.Ts. 2. 9; 1.Jo. 4. 1.

Quando Satanás descobriu que aberta inimizade e perseguição não tiveram o sucesso que seus planos quiseram, então ele empregou a astúcia e atuação escondida, fazendo surgir falsos mestres exatamente no meio das congregações cristãs, cujas línguas fluentes muitas vezes conseguir introduzir doutrinas diferentes do puro evangelho pregado pelos apóstolos. Por isso uma pessoa que tem a capacidade para logo discriminar, para desmascarar a posição dúbia e perigosa dos falsos mestres, foi uma valiosa aprovação na congregação. A mais outro cristão foram dadas tipos de línguas, sendo ele capaz para falar as grandes coisas de Deus em línguas estranhas, que jamais estudara, Mc. 16. 17, ou ele podia louvar o Senhor numa língua totalmente nova e desconhecida, virtualmente na língua dos anjos, cap. 13. 1. Contudo, visto que estes dons em si mesmo teriam sido inúteis, o Senhor também havia concedido a um outro a interpretação de línguas, ou seja, a capacidade de traduzir a língua desconhecida para o benefício da congregação, para a edificação dos ouvintes.

Claramente o apóstolo lembra seus leitores que, não importando a imensa diferença entre eles, não importando a inclinação que houve entre os detentores dos diferentes talentos para exaltar seus dons pessoais, todos estes dons haviam sido operadas por um e o mesmo Espírito, quando distribuiu a cada pessoa individual exatamente como Sua vontade o ditava. Aqui se destacam dois pensamentos: Que é tão somente o Espírito que lida com cada indivíduo, que é Sua escolha e juízo que determinam os dons, mas também que não podia haver qualquer ideia de mérito da parte de quem os recebeu; a medida do Espírito Santo é a sua vontade e seu conselho pessoal e gracioso.

Nota: Dos dons aqui mencionados pelo apóstolo, quatro desapareceram completamente do meio da igreja cristã, os outros cinco ainda são encontrados, ainda que em medida menor.

Desapareceram completamente o dom de curar sem a aplicação de remédios, o dom de operar outros milagres, o dom de falar línguas estranhas sem algum estudo e uso prévio, e por último o dom de interpretar tais línguas que jamais se estudou. Este, porém, não é o caso com os outros dons mencionados pelos apóstolos, a saber, com os dons de falar pelo Espírito com sabedoria e com conhecimento, com o dom de profetizar, isto é, de expor as Escrituras, com o dom de uma fé excepcionalmente alta, forte e heroica, e por fim com o dom de distinguir entre os espíritos.”20) Se estes dons ao menos tivessem sido empregados mais vezes, em toda humildade, para o benefício da igreja!

KRETZMANN. Paul E. Comentário Popular da Bíblia Novo Testamento. Editora Concordia Publishing House.

  1. Diversidade dos dons.

Dons de manifestação do Espírito

Vamos agora classificar ou agrupar os dons com o objetivo de entender melhor o assunto. A primeira classificação é a dos dons de manifestação do Espírito em número de nove, conforme I Coríntios 12.8-10. Esses dons são formas de capacitação sobrenatural de pessoas, para a “edificação do corpo de Cristo” como um todo, e também para a bem-aventurança de seus membros, individualmente (vv.3-5,12,17,26).

Os capítulos 12 a 14 de I Coríntios têm a ver com esses maravilhosos dons. Eles são de atuação eventual, inesperada e imprevista (quanto ao portador do dom), tudo dependendo da soberania de Deus na sua operação. Esses dons manifestam o saber de Deus, o poder de Deus e a mensagem de Deus.

Dons que manifestam 0 saber de Deus (I Co 12.8-10). Esses dons manifestam a multiforme sabedoria de Deus:

1) A palavra da sabedoria (v.8). E um dom de manifestação da sabedoria sobrenatural, pelo Espírito Santo. E um dom altamente necessário no governo da igreja, pastoreio, administração, liderança, direção de qualquer encargo na igreja e nas suas instituições.

2) A palavra da ciência (v.8). “Ciência” equivale, aqui, a “conhecimento”. Ê um dom de manifestação de conhecimento sobrenatural pelo Espírito Santo; de fatos, de causas, de ensinamentos, de ensinadores, etc.

3) O dom de discernir os espíritos (v.IO). No original, os dois termos que designam este dom estão no plural. E um dom de conhecimento e de revelação sobrenaturais pelo Espírito Santo. E um dom de proteção divina para não sermos enganados e prejudicados por Satanás e seus demônios, e também pelos homens. Uma das principais atividades de Satanás é enganar (Ap 12.9; 20.8,10; I Tm 4.1). Os homens também enganam (Ef 4.14; I Jo 2.26; 2 Jo v.7). Líderes em geral — inclusive de música —, pastores, evangelistas, mestres, precisam muito deste dom para não serem enganados.

Dons que manifestam o poder de Deus (I Co 12.9,10). Esses dons manifestam a poder dinâmico de Deus:

1) A fé (v.9). E um dom de manifestação de poder sobrenatural pelo Espírito Santo. Superação e eliminação de obstáculos sejam quais forem, e de impedimentos; liberação do poder de Deus; intercessão. Não se trata aqui da fé no seu sentido salvífico (Ef 2.8); ou fé como fruto do Espírito (G1 5.22); ou fé significando o corpo de doutrinas bíblicas (G1 1.23); ou fé como o aspecto puramente espiritual da vida cristã (2 Co 13.5). Trata-se da fé chamada “fé especial”, “fé miraculosa”. Este dom opera também em conjunto com vários outros dons.

2) 05 dom de curar. Ou “dons de curas”, literalmente (v.9). Isto é, este dom é multiforme na sua constituição e na sua operação. Ê uma sublime mensagem para os enfermos, não importando a sua doença. São dons de manifestação de poder sobrenatural pelo Espírito Santo para a cura das doenças e enfermidades do corpo, da alma e do espírito, para crentes e descrentes.

Esses “dons de curas” operam de várias maneiras: através da Palavra; através de outro dom; uma palavra de ordem; um olhar; mãos, etc. Os dons de curas abrangem o ser humano em sua totalidade; já o dom da fé, além do ser humano, abrange tudo mais, conforme os planos e propósitos de Deus.

3) A operação de maravilhas (v. 10). No original, os dois termos que designam este dom estão no plural: “operações de maravilhas”. São operações de milagres extraordinários, surpreendentes, pasmosos; prodígios espantosos pelo poder de Deus, para despertar e converter incrédulos, céticos, oponentes, crentes duvidosos. Leia João 6; Atos 8.6,13; 19.11; e Josué 10.12-14.

Dons que manifestam a mensagem de Deus (I Co 12.10). Esses dons manifestam a mensagem da parte de Deus, poderosa, vivificante, criativa, edificante e consoladora (E em torno desses três últimos dons que ocorre mais falta de disciplina e de ordem nas igrejas, como também ocorreu em Corinto.).

1) A profecia (v. 10). E um dom de manifestação sobrenatural de mensagem verbal pelo Espírito, para “edificação, exortação e consolação” do povo de Deus (I Co 14.3). E um dom necessário a todos os que ministram a Palavra; que trabalham com a Palavra (cf. Lc 1.2b; I Tm 5.7). O grau da profecia na igreja hoje não é o mesmo da “profecia da Escritura” (2 Pe 1.20), que é infalível — a profecia da Bíblia.

A profecia na igreja deve ser, pois, julgada. De fato, a Bíblia declara: “Em parte profetizamos” (I Co 13.9). A profecia da igreja está sujeita a falhas por parte do profeta; daí a recomendação bíblica de I Coríntios 14.29: “E falem dois ou três profetas, e os outros julguem”.

Por que a profecia é denominada o principal dom, conforme I Coríntios 13.2 e 14.1,5,39? Porque a profecia edifica a igreja como um corpo, e não ape- nas como indivíduos. Também porque a profecia é um meio de expressão de muitos dons (I Tm 4.14a). A maior parte do tempo do culto deve ser para a ministração da Palavra de Deus, e não para a profecia, conquanto seja esta tão importante (I Co 14.29).

2) A variedade de línguas (v. 10). É um dom de expressão plural, como indica o seu título. È um milagre linguístico sobrenatural. Nem todos os crentes batizados com o Espírito Santo recebem este dom (I Co 12.30). Já as línguas como evidência física inicial do batismo, todos ao serem batizados no Espírito Santo as falam.

As mensagens em línguas mediante este dom devem ser interpretadas para que a igreja receba edificação (I Co 14.5,27). O crente portador deste dom, ao falar em línguas perante a congregação, não havendo intérprete por Deus suscitado, deve este crente falar somente “consigo e com Deus” (I Co 14.4,28), isto é, falar em silêncio.

3) A interpretação das línguas (v. 10). Ê um dom de manifestação de mensagem verbal, sobrenatural, pelo Espírito Santo. Não se trata de “tradução de línguas”, mas de “interpretação de línguas”. Tradução tem a ver com palavras em si; interpretação tem a ver com mensagem. As línguas estranhas como dom espiritual, quando interpretadas, assemelham-se ao dom de profecia, mas não é a mesma coisa. O dom de interpretação é um dom em si mesmo, e não uma duplicação do dom de profecia (cf. I Co 12.10,30; 14.5,13,26-28).

Dons de ministérios práticos São administrações de serviços práticos, individuais e em grupo (Rm 12.6-8; I Co 12.28-30). Nestas passagens, eles aparecem juntamente com os demais dons espirituais, e sob o mesmo título original charismata — “dons da graça”. São dons de ministração residentes no portador, pela natureza de sua finalidade junto às pessoas ou grupos: assistência, serviço, socorro, auxílio, amparo, provisão. São dons residentes nos seus portadores, pela natureza e objetivos de sua ação.

Estes dons têm sido pouco estudados na igreja. Daí os equívocos e dúvidas existentes. São da mesma natureza espiritual e sobrenatural dos demais dons da graça de Deus. A Bíblia os coloca em conjunto com os demais dons (I Co 12.28). Ela usa para esses dons o mesmo termo original empregado para os dons de I Coríntios 12.4-10: charismata (Rm 12.6-8).

Ministério (Rm 12.7). Ministração, servir, prestar serviço material e espiritual, sem primeiramente esperar recompensa, reconhecimento, retribuição, remuneração, com motivação e capacitação mediante este dom. E servir capacitado sobrenaturalmente pelo Espírito.

Ensinar (Rm 12.7). Ensinar no sentido didático, como deixa claro o original. E o dom espiritual de ensinar, tanto na teoria, como na prática; ensinar fazendo; ensinar a fazer; ensinar a entender; treinar outros. Educar no sentido técnico desta palavra. Não confundir com o ministério do ensino, que tem a ver com ministros do evangelho, segundo Efésios 4. II e Atos 13.1 (“profetas e mestres”).

Exortar (Rm 12.8). Exortar, aqui, é como dom: ajudar, assistir, encorajar, animar, consolar, unir pessoas desunidas, que não se falam; admoestar.

Repartir (Rm 12.8). O sentido no original é dar generosamente, doar, oferecer, distribuir aos necessitados em primeiramente esperar recompensa ou reconhecimento, movido pelo Espírito Santo. Este dom ocupa-se da benevolência, beneficência, humanitarismo, filantropia, altruísmo.

Presidir (Rm 12.8). E conduzir, dirigir, organizar, liderar, governar, orientar com segurança, conhecimento, sabedoria e discernimento espiritual. Isso em se tratando de igreja, congregação, instituição, etc. Para alguém presidir desta maneira, só mesmo tendo de Deus este dom! A tendência natural de quem lidera e preside é ser duro, dominar somente pela autoridade, ser insensível.

Exercitar misericórdia (Rm 12.8). Este dom refere-se a assistência aos sofredores, necessitados, carentes; fracos, enfermos, presos, visitação, compaixão.

Socorros (I Co 12.28). Literalmente “achegar-se para socorrer”. É o caso de enfermos, exaustos, famintos, órfãos, viúvas, etc. È um dom de ação plural.

Governos (I Co 12.28). E um dom plural no seu exercício. Ê dirigir, guiar e conduzir com segurança e destreza. O termo original sugere pilotar uma embarcação com segurança, destreza e responsabilidade.

Dons na área do ministério

Esses dons são enumerados em Efésios 4.11 e I Coríntios 12.28, 29, a saber: apóstolos, profetas, evangelistas, pastores, doutores ou mestres.

Alvos e resultados dos dons espirituais. De acordo com I Coríntios 12.7, “a manifestação do Espírito é dada a cada um para o que for útil”. Vejamos quais são os alvos e resultados dos dons espirituais:

1) A glorificação do Senhor Jesus em escala muito além da natural e humana (Jo 16.14).

2) A confirmação da Palavra de Deus anunciada, pregada e ensinada (Mc 16.17-20; Hb 2.3,4).

3) O crescimento constante e real, em quantidade e qualidade, da obra de Deus na igreja, na evangelização e nas missões (At 6.7; 19.20; 9.31; Rm 15.19

4) A “edificação” espiritual da igreja de Deus como um corpo e como membros individualmente (I Co 12.12-27). Jesus afirmou: “Eu edificarei a minha igreja” (Mc 16.18), mas na ocasião Ele não disse como ia edificar. Mas em Atos e nas Epístolas vemos que é em parte através desses dons divinos de que estamos a tratar.

5) O aperfeiçoamento dos santos (Ef 4.11,12). Isso jamais é possível por parte do homem, ou das coisas desta vida, mas é possível para Deus (c£ Lc 18.27).

O exercício dos dons do Espírito. Toda energia e poder sem controle é desastroso. Estudando I Coríntios 14.26,32,33 e 40, vemos que Deus nos concede dons, mas não é responsável pelo mau uso deles, por desobediência do portador à doutrina bíblica, ou por ignorância desta. A eletricidade quando domada nas subestações, torna-se apropriada ao consumo doméstico, mas nas linhas de alta tensão é letal e destruidora. Também não adianta ter um bom freio no carro sem o seu potente motor, como muitos fazem nas igrejas mornas, frias e secas. Elas têm freio e direção no “carro”, porém falta-lhes o ativo e poderoso motor.

O uso dos dons na igreja deve ser regulado e equilibrado pela Palavra de Deus, corretamente entendida, interpretada e aplicada. A Palavra e o Espírito interpenetram-se e combinam-se em sua operação conjunta na igreja. A Palavra é a espada do Espírito, e o Espírito interpreta e emprega a Palavra.

Na igreja, a predominância da doutrina do Senhor corrige erros, evita con- fusão e repara estragos. Ela, quando ensinada e aplicada, neutraliza o fanatismo, que é zelo religioso sem entendimento — são exageros, práticas antibíblicas, emocionalismo, gritaria e outros desmandos. Por sua vez, quando o Espírito predomina, neutraliza o formalismo, que é excesso de regras, regulamentos, legalismo, rotina religiosa, formalidades secas e enjoativas, mornidão, fórmulas, ritos e coisas assim.

Quem recebe dons de Deus, a primeira coisa a fazer é procurar conhecer o que a Palavra ensina sobre o exercício deles. Em Corinto havia abuso dos dons, enquanto em Tessalônica havia carência deles, por tanto refreio. E de pasmar em nossas igrejas a carência da doutrina bíblica sobre essas manifestações do Espírito — os dons espirituais. O resultado disso aí está em muitos lugares: fanatismo, práticas antibíblicas, meninices, confusão, escândalo e desonra para o evangelho que pregamos.

No exercício dos dons e de outras manifestações do Espírito Santo, ninguém que aja desordenadamente e cause confusão, dentro da congregação e fora dela, venha a dizer que está agindo assim por direção do Espírito Santo. Ele não é o autor de tais coisas!

Responsabilidade quanto aos dons. É preciso haver responsabilidade quanto aos dons, a fim de que não haja mau uso deles.

1) Conhecer os dons. “Acerca dos dons espirituais, não quero, irmãos, que sejais ignorantes” (I Co 12.1).

2) Buscar os dons. “Procurai com zelo os melhores dons” (I Co 12.31).

3) Zelar pelos dons. “Procurai com zelo os dos espirituais” (I Co I4.I).

4) Ser abundante nos dons. “Procurai progredir neles, para a edificação da igreja” (I Co 14.12, ARA).

5) Ter autodisciplina nos dons. “E os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas” (I Co 14.32).

6) Ter decência e ordem no exercício dos dons. “Mas faça-se tudo decen- temente e com ordem” (I Co 14.40).

Portanto, poder, mais, curas, libertação e maravilhas devem caracterizar um genuíno avivamento pleno de renovação espiritual e pentecostal. No entanto, tudo deve ser livre de escândalos, engano, falsificação, e segundo a decência e ordem que a Palavra de Deus preceitua (I Co 14.26-40).

Antônio Gilberto. Teologia Sistemática Pentecostal. Editora CPAD. pag.196-202.

Os dons de Deus

Notemos o que Paulo diz: “E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos” (1 Coríntios 12.6).

A palavra “operações” refere-se ao método usado para pregar o evangelho. Para ser mais específico, refere-se à estratégia usada para que o evangelho alcance o mundo todo. Meios eficientes e programas para testemunhar o evangelho incluem a abertura de novas igrejas, reavivamento, estabelecimento e manutenção de escolas e hospitais. Essas ações pertencem às diversas operações que Deus usa para o avanço do evangelho.

Os dons de Jesus

Paulo também diz: “E também há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo” (I Coríntios 12.5). Isso quer dizer que Jesus Cristo tem dado o dom de ministrar a alguns cristãos, para que possam ocupar posição de liderança e realizar trabalhos dentro da igreja. Assim como toda organização na terra requer liderança responsável, a igreja, o corpo de Cristo, também o exige.

O ministério é explicado em diversos lugares na Bíblia. Como exemplo, em I Coríntios 12.27-28 lemos:

“Ora, vós sois corpo de Cristo e, individualmente, membros desse corpo. A uns pôs Deus na igreja, primeiramente apóstolos, em segundo lugar profetas, em terceiro lugar mestres, depois operadores de milagres, depois dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas”.

Com respeito a esses ministérios, Paulo escreveu em Efésios 4.11: “E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores”. Esse versículo nos mostra que, como cristãos, não podemos escolher o tipo de ministério que gostaríamos de ter dentro da igreja. Sem dúvida, cada um de nós deve descobrir o dom de Jesus que nos foi dado e, então, servir a Deus fielmente naquele tipo de serviço para o qual fomos escolhidos.

Os dons do Espírito

Concluímos, então, que os dons são dados pelo Espírito Santo: “Há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo” (I Coríntios 12.4).

Dons do Espírito Santo são os instrumentos de poder que levam adiante, com sucesso, a realização e administração do trabalho de Deus em sua igreja.

Quando se planeja construir uma casa e o arquiteto, construtor e especialistas são escolhidos, todas as ferramentas e materiais necessários para a construção são trazidos e usados, para que o projeto obtenha sucesso e seja efetuado o mais rápido possível.

Quando há um grande trabalho a ser realizado para Deus, os dons do Espírito Santo são distribuídos a diferentes cristãos dentro da igreja, o corpo de Cristo. Esses dons capacitam os cristãos a completar o trabalho de Deus com responsabilidade e eficiência; e o trabalho desenvolve-se graças ao Espírito Santo.

Existem nove dons do Espírito Santo, e podem ser divididos em três grupos como segue:

  1. Os dons de revelação
  2. O dom da palavra da sabedoria
  3. O dom da palavra da ciência
  4. O dom de discernimento de espíritos
  5. Os dons vocais
  6. O dom de línguas
  7. O dom de interpretação de línguas
  8. O dom de profecia
  9. Os dons de poder
  10. O dom de fé
  11. O dom de cura
  12. O dom de operar milagres

Os dons de revelação referem-se à comunicação sobrenatural, revelada pelo Espírito Santo ao coração daquele que recebe esse dom. O conhecimento de experiências e situações de outras pessoas, que é revelado mediante esses dons, só se tornará público quando a pessoa que recebe um ou todos esses dons decide falar.

Os dons vocais tratam da comunicação sobrenatural que o Espírito Santo de Deus revela, usando a voz humana. Não somente a pessoa que usa os dons, mas outras ao seu redor podem ouvir a comunicação, pois esses dons são recebidos pelos sentidos.

Os dons de poder são dons grandiosos pelos quais o poder de Deus se manifesta, a fim de transmitir uma resposta miraculosa mediante uma intervenção divina, sobrenatural. Por meio desses dons as pessoas e seu ambiente são transformados.

Todos os tipos de dons são distribuídos às pessoas pelo Espírito Santo, de acordo com sua própria vontade, para o benefício e crescimento da igreja, o corpo de Cristo.

DAVID YONGGI CHO. O Espírito Santo, Meu Companheiro. Editora Vida. pag. 116-119.

  1. Autossuficiência e humildade.

Utilizando Os Dons Espirituais

  1. Não são meios pelos quais nos autoglorifiquemos. Tal atitude seria contrária ao inteiro espírito do evangelho. Mas que tal atitude havia na igreja de Corinto é algo que fica transparente no décimo quarto capítulo de I Coríntios.
  2. Os dons espirituais visam a edificação, e devem servir de meios para conduzir os homens na direção da perfeição, em Cristo (ver Efé. 4:11 e ss.).
  3. Precisam ser exercidos no ambiente do amor (ver I Cor. 13), pois o amor é maior que qualquer dom espiritual. A nossa preocupação deveria ser: «Mediante 0 uso deste dom, como posso ajudar os homens a serem transformados mais profundamente segundo a imagem de Cristo?» Ou então: «Como poderei servir a outros, material e espiritualmente, pelo meu ministério caracterizado por dons espirituais?»
  4. Cada membro do corpo de Cristo deveria possuir algum dom espiritual, e cada dom é uma função do corpo. Paulo emprega uma metáfora baseada na fisiologia, em I Cor. 12:12-31, a qual é mui instrutiva.

«...a graça que nos foi dada...» Todos os dons espirituais começam e têm por base a graça de Deus, tal como 0 apóstolo dos gentios já havia demonstrado, em seu próprio caso, porque, ao ser chamado para 0 apostolado, foi chamado através da dispensação da graça de Deus. (Ver o terceiro versículo deste mesmo capítulo). Todas as demais funções espirituais são igualmente alicerçadas nesse propósito divino, atuadas nos homens mediante o Espírito Santo.

Neste ponto, a medida da fé e. a. «graça que nos foi dada» significam essencialmente a mesma coisa. (Ver as notas expositivas no terceiro versículo deste capítulo, quanto à leve diferença de sentido entre as duas expressões). Ambas as passagens referem-se à «graça» do Espírito, como fundamento de toda a outorga dos dons espirituais. Aquilo que fala da fé enfatiza a base em que a graça se desenvolve e floresce. Diz Brown (in loc.)

referindo-se ao terceiro versículo deste capítulo: «A fé é aqui vista como a entrada e como o canteiro de todas as outras graças, sendo assim a faculdade receptiva da semente renovada». A própria fé, cujo início tem lugar quando da regeneração, e que frutifica na vida cristã diária, por ser o princípio transmissor de vida, em si mesma é uma graça de Deus, porque é conferida aos homens, embora sempre em cooperação com a vontade humana.

Neste versículo, «...dons...» é tradução do termo grego «charismata»,. O vocábulo grego técnico para todos os chamados «dons espirituais». Todos esses dons são proporcionados e inspirados pelo Espírito Santo, não 'se tratando meramente das manifestações miraculosas. Paulo não entra aqui em longa descrição sobre os dons do Espírito, e nem mesmo chega a mencionar os dons especialmente «miraculosos», segundo faz no paralelo do décimo segundo capítulo da primeira epístola aos Coríntios. Portanto, suas explicações são muito menos extensas neste décimo segundo capítulo da epístola aos Romanos, simplesmente porque 0 apóstolo dos gentios não foi obrigado a tentar corrigir abusos sérios, conforme se deu no caso de sua epístola aos Coríntios.

O Uso E O Abuso Dos Dons Espirituais

  1. Quando a epístola aos Romanos foi escrita, os dons espirituais ainda não haviam cessado. Não podemos usar 0 trecho de I Cor. 13:10, como texto de prova do ensino que supostamente os dons espirituais desapareceriam dentro da era cristã, pois o que é «perfeito»—que finalmente eliminará a necessidade de certos dons espirituais—é a «parousia» (ou segunda vinda de Cristo), e não o término do cânon neotestamentário.
  2. Entre os dons espirituais, alguns são perturbadores por haverem sido imitados e abusados, a saber, alguns dons miraculosos como as línguas, a interpretação de línguas e os milagres de curas. Há algumas indicações, dentro da tradição profética, de que a espiritualidade continuará avançando até um ponto em que os dons espirituais controvertidos chegarão a ser substituídos por formas de expressão espirituais mais elevadas. Então os verdadeiros crentes unir-se-ão ao redor de uma mais alta espiritualidade. Portanto, estamos progredindo para um ponto mais avançado, melhor que uma simples restauração.

As manifestações místicas não procedem necessariamente do reino da luz, e é muito engenhosa aquela atitude que pensa que simplesmente porque são buscadas em «nome» do Senhor Jesus, que os benefícios espirituais assim adquiridos procedem do Espírito Santo. Blasfêmias e vulgaridades têm sido ouvidas em línguas, nas igrejas evangélicas, supostamente no nome do Senhor Jesus. A possessão demoníaca não é incomum em algumas igrejas evangélicas onde a psyche é escancarada às influências espirituais externas. Isso prova que os «demônios» se fazem presentes; e, estando presentes os demônios, são eles os provocadores de muitas das manifestações que ali se efetuam.

Há uma igreja evangélica, que este autor conhece pessoalmente, onde ocorre o chamado «fenômeno do perfume». Trata-se do aparecimento repentino do odor de rosas, embora diferente do perfume das rosas terrestres. Naquela igreja supõe-se que tal perfume aparece quando o Senhor Jesus se faz presente entre seu povo. Essa opinião é aceita pelos membros da citada igreja sem qualquer sombra de dúvida; mas certamente ficariam muito surpreendidos se soubessem que esse fenômeno e bastante comum em centros espiritas, onde nenhuma reivindicação é feita da presença de Jesus Cristo, mas tão-somente da presença de vários «espíritos». Além disso, essa mesma experiência é comum para certos indivíduos, com frequência em conexão com a suposta volta de algum ente amado já falecido, como algo que muito se repete, usualmente em tempos de crise, quando tal «presença» se torna psicologicamente necessária. Eles «reconhecem» que 0 espírito da pessoa falecida se fez presente mediante o citado perfume, usualmente de alguma espécie de flor. O famoso «Arigó», aqui no Brasil, com frequência produzia o «fenômeno do perfume», simplesmente pondo um vaso qualquer com água sobre uma mesa, a qual prontamente adquiria o odor do perfume. Tudo isso dizemos para advertência a pessoas mais psicologicamente destreinadas, as quais facilmente supõem que qualquer ocorrência diferente e aparentemente miraculosa procede necessariamente do Espírito Santo de Deus.

  1. Em cada século, os dons espirituais são desesperadoramente necessários para o bem da igreja, em seu desenvolvimento (ver o que diz Efé. 4:11 e ss.); mas esses dons podem ser exercidos segundo moldes diferentes dos do primeiro século cristão, ou em moldes superiores àqueles de eras passadas. Estamos aguardando exatamente esta última alternativa.
  2. Foram dadas notas completas sobre o «batismo do Espírito e os dons espirituais», incluindo o dom das línguas, em Atos 2:4.

Quanto aos abusos, consideremos as notas abaixo;

Os Dons, Que Fiquem Para Sempre! Mas Cuidado Com Os Abusos

  1. Paulo nos ensina a buscar os dons (ver I Cor. 12:31).
  2. Abundam, entretanto, os abusos e as imitações.
  3. A mera alma humana, em seus poderes psíquicos, pode duplicar a todos esses dons espirituais, pois o homem é um espírito e está revestido de poderes espirituais. O psiquismo pode servir de base de supostos dons espirituais. Têm sido feitos estudos, que demonstram a existência de línguas telepáticas, e que os estados alterados da consciência podem produzir inspiração suficiente para que alguém profetize e diga maravilhas, meramente porque o espírito humano, por si mesmo, é uma maravilha e está dotado de admiráveis poderes.

b! Existem poderes estranhos, demoníacos e outros, que podem influenciar um homem, imitando os dons espirituais.

  1. Mas também existe a presença do Espírito Santo, e sua função é doar os dons espirituais, embora estes possam funcionar em moldes diferentes dos do primeiro século, como também possam manifestar-se de maneiras mais avançadas, do que aquelas que até agora têm sido reconhecidas entre nós. Como poderia suceder que não estamos envolvidos no avanço espiritual? Esse avanço nos conduzirá até à perfeição em Cristo, conforme formos sendo transformados em sua imagem (ver Rom. 8:29). Isso irá sendo realizado pelo poder do Espírito (ver II Cor. 3:18), e nesse processo terminaremos maiores do que jamais foi Paulo, dotados finalmente de poderes muito superiores aos dele. Portanto, talvez até seja errado, ficarmos contemplando de volta ao primeiro século, desejando a restauração nos moldes da igreja primitiva. A verdadeira fé e uma elevada espiritualidade quiçá prefiram olhar para o futuro avanço, para uma forma que nos faça subir acima de abusos e imitações. Que ainda não possuímos esse tipo de fé é evidente.

Contrariamente à ideia que diz que os dons espirituais «não são para nós», mas estavam reservados às primeiras gerações cristãs tão-somente, diz Newell (in loc.), em excelente comentário: «Essa é uma tríplice suposição: 1. Procura desculpar nosso próprio estado espiritual inferior; 2. pior ainda, é que lança a culpa sobre Deus, no que tange ao fracasso da igreja quanto a essa particularidade; e 3. eleva o presente estado dos crentes como suficiente e superior ao estado de coisas que prevalecia nos tempos em que o Espírito Santo era conhecido em seu poder».

«...profecia...» (Ver as notas expositivas a respeito em Atos 13:1 e Efé. 4:1, onde são distinguidos os «profetas» dos «mestres» cristãos. Quanto a notas expositivas sobre os «profetas do N.T.», ver Atos 11:27). Nas Sagradas Escrituras, os «profetas» são as seguintes pessoas:

  1. Algumas vezes são aqueles que, em sentido muito especial, foram escolhidos para algum ministério de revelação das verdades, através de revelações ou oráculos, conforme se verificava no caso dos profetas do A.T. Esses profetas do A.T., quanto à sua posição e autoridade, eram um tanto semelhantes aos apóstolos do N.T. O oficio espiritual deles era especial. Não há razão alguma para a suposição de que isso não pode continuar ocorrendo hoje em dia. Talvez indivíduos como Lutero, João Wesley e tantos outros, na história da igreja, incluindo até mesmo outros de menor envergadura, embora tenham sido elevados acima dos mestres e ministros comuns do evangelho, possam ser chamados «profetas». São pessoas encarregadas de alguma missão elevada, que falam com uma unção incomum do Espírito Santo. No sentido secundário da palavra, tais indivíduos também podem ser chamados «apóstolos», conforme esclarecemos nas notas expositivas sobre Atos 14:4. Esses «apóstolos» seriam os mais elevados dentre esses «profetas».
  2. Os profetas da igreja cristã primitiva evidentemente eram homens de considerável habilidade psíquica, capazes de proferirem declarações inspiradas, não sendo confundidos com os pregadores ordinários. No exercício dos dons espirituais, ocupavam posição secundária somente em relação aos apóstolos, conforme depreendemos de passagens neotestamentárias como I Cor. 12:28; Efé. 2:20; 3:5; 4:11 e Apo. 22:9. (Ver igualmente Atos 13:1; 15:32 e 21:9,10). Esses profetas do N.T. exerciam seu ofício em virtude do recebimento de dons carismáticos, e não por sanção ou nomeação oficial por parte das igrejas locais, porquanto não há o menor laivo de evidência que a posição deles fosse alcançada através da consagração a esse ofício. O trecho de I Cor. 14:29-39 mostra-nos que algumas vezes esses profetas se deixavam arrastar em seu entusiasmo ao ponto de produzirem a desordem nos cultos, o que Paulo censurou severamente.

Evidentemente surgiram dúvidas, até mesmo naqueles dias primitivos, acerca da autenticidade dos dons espirituais de alguns desses «profetas», ao ponto de suspeitar-se que seus poderes procediam de fontes malignas. (Ver I João 4:1 e I Tes. 5:20,21). Os poderes sobrenaturais, manifestamente superiores àquilo que se poderia esperar da parte das capacidades humanas normais, são sempre :difíceis de julgar quanto à sua origem exata; o máximo que podemos fazer é aplicar as palavras do Senhor Jesus, que disse: «...pelos seus frutos os conhecereis» (Mat. 7:20). Infelizmente, o critério moderno de julgar tais pessoas tem degenerado ao teste que declara: «Por suas denominações os conhecereis». Esse critério é fruto do sectarismo.

Judas e Silas, nas páginas do N.T., são chamados «profetas» (ver Atos 14:4 e 15:32). Esses possuíam uma inspiração superior à daqueles que falavam em línguas (ver I Cor. 14:3). João Batista, por igual modo, foi chamado de «profeta» (ver Luc. 7:26), embora não tivesse exercido qualquer dom miraculoso. Entretanto, foi um elevadíssimo mestre, enviado por Deus, e predisse o futuro com discernimento profético.

  1. Os profetas, não obstante, não profetizaram sempre e necessariamente o futuro, embora tal função evidentemente não fosse incomum entre eles. (Ver Atos 21:4,9-11). Nessa oportunidade, a profecia neotestamentária incluiu o conhecimento prévio, embora isso não faça parte necessária da profecia. Entretanto, é fenômeno comum, entre aqueles que possuem dons psíquicos, possuírem algum discernimento quanto a alguns acontecimentos futuros. Contudo, a profecia consiste muito mais de uma «afirmação inspirada» do que da predição do futuro. Todavia, é muito difícil fazer a separação dessas duas funções, no mesmo indivíduo.

Ê bem provável que certo número dos profetas existentes na época do apóstolo Paulo tivesse pertencido aos setenta discípulos especiais de Jesus, e que são mencionados como encarregados de missão especial (conforme o modelo da missão apostólica), no décimo capítulo do evangelho de Lucas, embora não haja nenhuma razão para limitarmos a esfera de serviço profético a tão exíguo número de homens, como também não é correto supor que não pode haver profetas em nossos próprios dias, segundo os moldes dos dias do N.T., ou segundo outros moldes.

O dom da profecia visa especialmente a consolar e edificar a igreja, além de ter a serventia de convencer os incrédulos presentes sobre as verdades do evangelho. A importância do ensino foi assim salientada, porquanto um dom especial é conferido a certos, para que se tornem mestres mais poderosos. Além disso, não devemos supor que os «mestres» também nâo sejam diretamente inspirados pelo Espírito Santo, já que esse é um dos ministérios formados pelo Espírito de Deus. Contudo, esse ministério é mais sutil, menos psiquicamente poderoso, mais geral e menos imediato; também é mais quieto e menos espetacular, estando mais limitado ao uso inspirado dos documentos sagrados—a Bíblia—como sua fonte, do que sucede no caso da inspiração imediata, que não depende dos documentos escritos, conforme se dá no caso dos profetas.

«Os profetas, que são associados aos apóstolos como o alicerce da igreja (ver Efé. 2:20), porquanto podem revelar a mente de Deus, segundo me parece, em certo sentido subordinado podem existir até os nossos dias, sendo aqueles que não meramente ensinam e esclarecem doutrinas ordinárias e proveitosas, mas também que, devido a uma energia especial do Espírito Santo, podem desdobrar e transmitir a mente de Cristo à igreja cristã, nos casos em que esta mostrar-se ignorante da mesma (embora tal mentalidade esteja oculta nas Escrituras), podendo desvendar à igreja verdades bíblicas antes escondidas, através do poder do testemunho do Espírito de Deus, de conformidade com as circunstâncias presentes da igreja e das espectativas futuras para o mundo. Isso faz deles, para todos os efeitos práticos, profetas (embora nenhum fato novo seja revelado, mas tudo já esteja presente na Palavra de Deus); os quais, por isso mesmo, tornam-se uma bênção direta e uma dádiva de Jesus Cristo à sua igreja, quanto à sua necessidade e aparecimento, embora eles se apeguem firmemente à Palavra, sem o que, entretanto, a igreja não possuiria o poder dessa Palavra». (Darby, in loc.).

«...segundo a proporção da fé...« Visto que essa expressão é um tanto obscura, tem ela recebido certa variedade de interpretações, como segue:

  1. Alguns pensam que se trata da fé subjetiva. Diz Tholuck (irt loc.): «O profeta se mantém dentro dos limites de seu dom profético, que lhe é atribuído pela sua individualidade». Essa interpretação inclui igualmente a ideia de sua própria «receptividade», ou seja, como ele se entrega para ser instrumento para o exercício de seu dom. Cada homem tem um certo desenvolvimento em sua espiritualidade. Portanto, cada qual exerce o seu dom de conformidade com seu desenvolvimento espiritual, e isso de conformidade com a sua «proporção da fé», ou seja, com a proporção de seu desenvolvimento espiritual, no que diz respeito à função de seu ofício. Ainda uma subcategoria dessa fé subjetiva é aquela ideia que diz que, para cada qual, Deus tem determinado certa medida da «graça» da «fé», ou seja, da dotação espiritual, em que cada indivíduo labora de conformidade com a mesma. Isso concorda com o terceiro versículo deste capítulo, bem como com a ideia geral de havermos recebido alguma medida da «graça», que nos capacita a ministrar, devendo ser reputada como parte da ideia aqui tencionada. Não obstante, essa «graça» não se mostrará eficaz a menos que seja exercida com fé pessoal, e de acordo com o desenvolvimento espiritual do indivíduo, que depende do princípio da fé. Por essa razão é que disse Meyer (in loc.) ׳. «...de acordo com a força, a clareza, o fervor e outras qualidades da fé que lhes tiver sido outorgada; de tal modo que 0 caráter e 0 modo de falar se conformem com as regras e os limites que são subentendidos na proporção de seu grau individual de fé».
  2. Outros estudiosos preferem pensar na fé objetiva, isto é, pensar haver aqui alusão à regra das Escrituras ou revelação divina, a regra ou padrão de doutrina cristã, que é a autoridade seguida pela igreja cristã, dependendo do ponto de vista do intérprete. Essa seria a «analogia fidei», ou seja, o padrão de revelação, especialmente aquele exibido nas Sagradas Escrituras. E isso significa, por sua vez, que as profecias transmitidas por meio de quem quer que seja devem conformar-se a esse padrão, não ultrapassando do mesmo. Paulo realmente apelou para certos cânones fundamentais da verdade, se não mesmo a confissões eclesiásticas formais, aplicadas às doutrinas neotestamentárias; e com frequência esse apóstolo citava o A.T. como documento autoritativo. (Quanto aos «cânones fundamentais da verdade, segundo Paulo», ver as notas expositivas sobre Gál. 1:8; 6:16; Fil. 3:16; II Tim. 3:15,16). Não obstante, não podemos incluir aqui a «autoridade eclesiástica», ou mesmo algum cânon de fé estabelecido pelo homem no N.T., conforme alguns intérpretes de tendências mais eclesiásticas gostariam de fazer-nos crer, porque, ao tempo em que Paulo assim escreveu, não havia essa autoridade estabelecida no seio da igreja neotestamentária, além do fato que o cânon do N.T. estava longe de ficar completo.

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 3. pag. 812-814.

A utilidade (12.6b-8). Temos vários dons. Nesta lista, os dons são dados pelo Pai. Em I Coríntios 12, os dons são dados pelo Espírito. Em Efésios 4, os dons são dados pelo Filho. Os dons mencionados em Romanos 12.6-8 são divididos em duas categorias: dons de fala (profecia, ensino e exortação) e dons de serviço (servir, contribuir, liderança e mostrar misericórdia).1014 E bastante óbvio que o apóstolo não está falando de cargos, mas de dons. Nem todo dom implica um cargo diferente. Muitos dons não exigem nenhum cargo.1015 Consideraremos a seguir esses dons espirituais.

- O dom de profecia. “[...] se profecia, seja segundo a proporção da fé” (12.6b). William Barclay diz que, no Novo Testamento, a profecia raramente tem a ver com a predição do futuro; geralmente se refere à proclamação da Palavra de Deus (ICo 14.3,24,31).1016 Devemos fazer uma distinção entre o ofício de profeta no Antigo e Novo Testamentos e o dom de profecia. Hoje não há mais profetas no sentido daqueles primeiros profetas, que se tornaram o fundamento da igreja (Ef 2.20) e receberam a revelação divina para o registro das Escrituras. Hoje qualquer manifestação subsequente deste dom deve ser submetida à doutrina autorizada dos apóstolos e profetas originais, conforme consta do cânon das Escrituras. Hoje Deus não revela mais “verdade nova” diretamente. Sendo, assim, o dom de profecia é o dom de entender as Escrituras e explicá-las. É apresentar ao povo de Deus verdades recebidas não por revelação direta, mas pelo estudo cuidadoso da Palavra de Deus, completa e infalível. Quando Paulo diz: “Se profecia, seja segundo a proporção da fé”, precisamos entender que “fé” aqui não é subjetiva, mas fé objetiva, ou seja, o conteúdo geral das Escrituras (Jd 3; IPe 4.10,11).

LOPES, Hernandes Dias. Romanos: a alegria triunfante no meio das provas. Editora Hagnos. pag. 404-405.

A humildade no Uso dos Dons de Deus. 12:3-8.

  1. Na introdução da questão dos dons, Paulo fala da graça que lhe foi dada para capacitá-lo a ser um apóstolo. Depois ele exorta cada um dos seus leitores a que não sejam arrogantes, isto é, que não pensem bem demais sobre si mesmos. Ele apela para um jogo de palavras, usando diversos termos gregos que têm a palavra "mente" ou "pensar" como elemento básico – que não pense de si mesmo, além do que convém (saber), antes, pense com moderação (com equilíbrio na avaliação). Devemos fazer uma auto-avaliação quanto ao que Deus repartiu a cada um. Paulo aqui não fala da "fé salvadora" mas antes de "uma fé que impulsiona uma pessoa na obra de Deus". A "fé salvadora" não seria o padrão para um auto-exame correto. Só o orgulho poderia dizer: "Veja quanta fé salvadora eu tenho". Mas é com humildade que se diz: "Eis aqui a fé que eu tive na execução desta ou daquela tarefa particular para Deus". Isto apenas leva à oração, "Senhor, aumenta a nossa fé" (veja Lc. 17:5). Na lista dos heróis da fé em Hb. 11, vemos que a medida da fé dada, corresponde à tarefa a ser realizada.

4,5. O um só corpo do qual os muitos são membros, enquanto ao mesmo tempo são, individualmente, membros uns dos outros, é a Igreja universal, constituída de todos os crentes em Cristo. (Veja I Co. 10:17; 12:12, 13, 28; Ef. 1:22, 23; 2:15b, 16; 4:3-6, 11-13, 15, 16; 5:22-30; Cl. 1:17, 18, 24, 25). O símbolo do corpo descreve a Igreja como um organismo, com cada membro recebendo vida de Cristo (veja Cl. 3:3). Uma vez que todos os membros recebem sua vida de Cristo, eles todos se pertencem mutuamente. Grupos locais de crentes são a manifestação local do corpo de Cristo, a Igreja. Tal grupo local é corpo de Cristo, mas não todo o corpo de Cristo (veja I Co. 12:27). O corpo de Cristo consiste da totalidade dos crentes que estão unidos a Cristo, a cabeça da Igreja. 6. A graça de Deus concedida a crentes individualmente, está comprovada nos diferentes dons. Paulo faz uma lista dos dons e depois diz de que modo cada um deve ser usado. Em cada caso o leitor, para entender, deve suprir o verbo, vamos usá-lo, seguido do dom particular. Se profecia, seja (vamos usá-la) segundo a proporção da fé, ou no correto relacionamento com a fé. Fé aqui significa o corpo da fé, da crença ou doutrina (veja Arndt, pistis, 3, págs. 669-670). A profecia, que tem a intenção de exortar, encorajar e confortar (veja I Co. 14:3), deve ser usada no devido relacionamento, com a verdade revelada de Deus.

Charles F. Pfeiffer. Comentário Bíblico Moody. Editora Batista Regular Romanos. pag. 97-98.

(1) Porque qualquer coisa boa que tenhamos, foi Deus que repartiu a nós; todo dom perfeito e bom “...vem do alto” (Tg 1.17). O que temos, que não temos recebido? E, se o recebemos, por que nos gloriamos? (1 Co 4.7). O homem mais competente e melhor do mundo não é mais nem melhor do que o que a livre graça de Deus faz dele cada dia. Quando estamos pensando em nós mesmos, devemos nos lembrar de pensar não como temos alcançado, como se nossa força e o poder de nossa mão tivessem adquirido esses dons, mas pensar quão generoso Deus tem sido para conosco, pois é Ele quem nos dá poder para fazer qualquer coisa que é boa e nele está toda a nossa suficiência.

(2) Porque Deus concede seus dons em certa medida:

“...conforme a medida da fé...". Observe: Ele chama de medida da fé a medida dos dons espirituais, pois essa é a graça radical. O que temos e fazemos de bom é certo e aceitável na medida em que está fundamentado na fé, e flui da fé, e não vai além dela. Ora, a fé e os outros dons espirituais com ela são concedidos por medida, como a Infinita Sabedoria vê que é adequado para nós. Cristo tinha o Espírito que lhe fora dado sem medida (Jo 3.34). Mas os santos o têm por medida (Ef 4.7).

Cristo, que tinha dons sem medida, era meigo e humilde; e nós, que os temos de forma limitada, seremos arrogantes e orgulhosos?

(3) Porque Deus repartiu dons tanto aos outros como a nós: “...repartiu a cada um”. Tivéssemos o monopólio do Espírito, ou um documento que nos garantisse sermos proprietários exclusivos dos dons espirituais, podia haver alguma base para essa presunção; mas outros têm sua parte assim como nós. Deus é Pai de todos, e Cristo, a raiz de todos os santos, de quem eles obtêm virtude; e por isso, não é conveniente nos tornarmos arrogantes e desprezarmos os outros, como se apenas nós fôssemos o povo de bem com Deus e os únicos possuidores da sabedoria. Ele ilustra esse raciocínio com uma comparação extraída dos membros do corpo natural (como em 1 Co 12.12; Ef 4.16): “Porque assim como em um corpo temos muitos membros...” (w. 4,5). Observe aqui: [1] Todos os santos formam um corpo em Cristo, que é a cabeça do corpo e o centro comum de sua unidade. Os crentes não estão no mundo como um grupo desordenado e confuso, mas estão organizados e unidos, já que estão unidos a uma cabeça comum e movidos e animados por um Espírito comum a todos. [2] Os crentes individuais são membros desse corpo, partes componentes, o que significa que são menos do que o todo, e estão em relação com o todo, derivando vida e vigor da cabeça. Alguns membros do corpo são maiores e mais úteis que outros e cada um recebe vigor da cabeça de acordo com a sua proporção. Se o dedinho recebesse tanta nutrição quanto a perna, quão inconveniente e prejudicial seria! Devemos nos lembrar que não somos o todo; pensamos além do que é adequado se pensamos assim; somos apenas partes e membros. [3] “...nem todos os membros têm a mesma operação” (v. 4), mas cada um possui seu respectivo lugar e função que lhe foi designado.

A função do olho é ver, a função da mão é trabalhar etc. Assim também ocorre no corpo místico: alguns são qualificados e chamados para um tipo de função; outros são, da mesma forma, preparados e chamados para outro tipo de função. Os magistrados, os ministros, as pessoas, em uma comunidade cristã, têm seus vários ofícios, e não devem se intrometer uns nas funções dos outros, nem entrar em conflito na execução de suas várias funções. [4] Cada membro tem o seu lugar e a sua função, para o bem e o beneficio do todo e de todos os outros membros. Não somos apenas membros de Cristo, mas “...membros uns dos outros” (v. 5). Permanecemos em relação uns com os outros; estamos encarregados de fazer todo o bem que pudermos reciprocamente e agir em união para o benefício comum. Veja isso ilustrado em detalhes em 1 Coríntios 12.14ss. Por essa razão, não devemos ficar inchados com presunção de nossos próprios talentos, porque, qualquer coisa que tenhamos, foi recebida, e não recebemos para nós mesmos, mas para o bem de outros.

  1. Um uso sóbrio dos dons que Deus nos tem concedido. Como não devemos, por um lado, estar orgulhosos de nossos talentos, assim, por outro lado, não devemos enterrá-los. Tomemos cuidado para que, sob pretensão de humildade e abnegação, não sejamos vagarosos em nos colocar à disposição para o bem de outros. Não devemos dizer: “Eu não sou nada, por isso, me sentarei e não farei nada”; mas: “Eu não sou nada em mim mesmo e, por isso, me colocarei ao máximo na força da graça de Cristo”. Ele especifica as funções eclesiásticas designadas em igrejas particulares, em cujo desempenho cada um deve pensar em cumprir o seu próprio dever, para preservar a ordem e promover a edificação na igreja, cada um conhecendo o seu lugar e ocupando-o. “De modo que, tendo diferentes dons”. O seguinte raciocínio particular completa o sentido desse raciocínio geral. Tendo dons, usemo-los. Autoridade e habilidade para a obra ministerial são dons de Deus. Diferentes dons. O propósito imediato é diferente, embora o alvo último de todos seja o mesmo, “...segundo a graça...”, charismata kata ten charin. A livre graça de Deus é a fonte e a origem de todos os dons que são concedidos aos homens. E a graça que designa a função, qualifica e dirige as pessoas e que opera tanto o querer quanto o realizar. Havia, na igreja primitiva, dons extraordinários de línguas, de discernimento e de cura; mas o apóstolo fala aqui daqueles que são comuns (compare com 1 Co 12.4; 1 Tm 4.14; 1 Pe 4.10). Ele especifica sete dons em particular (w. 6-8), os quais parecem significar várias funções distintas, usadas pela estrutura consultiva de muitas igrejas primitivas, principalmente as maiores. Existem dois dons gerais aqui expressos por “profecia” e “ministério”, o primeiro sendo a função dos bispos, e o último, a função dos diáconos (esses dois eram os únicos ofícios estabelecidos - Fp 1.1). Mas a obra particular que pertence a cada um desses podia ser, e parece que era, dividida e distribuída por consentimento e acordo geral, para que isso pudesse ser feito mais eficazmente, porque aquilo que é função de todos não é função de ninguém, e aquele que é vir unius negotii - homem de uma tarefa desempenha melhor a sua função. Assim Davi separou os levitas (1 Cr 23.4,5), e nessa sabedoria é proveitoso se conduzir. Consequentemente, os cinco últimos serão reduzidos aos dois primeiros. (1) Profecia, “...se é profecia^ seja ela segundo a medida da fé”. Não significa os dons extraordinários de predizer o futuro, mas o ofício comum de pregar a palavra: assim profetizar é considerado em 1 Coríntios 14.1-3ss.; 11.4; I Tessalonicenses 5.20. A obra dos profetas do Antigo Testamento não foi apenas a de predizer o futuro, mas advertir o povo a respeito do pecado e dos deveres, e serem aqueles que o lembravam a respeito do que eles sabiam antes. E assim, os pregadores do evangelho são profetas, e de fato, até onde vai a revelação da palavra, predizem o futuro. A pregação refere-se à condição eterna dos homens, aponta diretamente para um estado futuro. Então, aqueles que pregam a palavra devem fazê-lo segundo a medida da fé - kata ten analogian tes pisteos, isto é: [1] Quanto ao modo do nosso profetizar, isso deve ser feito de acordo com a medida da graça da fé. Ele tinha falado no versículo 3 a respeito da medida da fé repartida a cada homem. Que aquele que prega coloque toda a sua fé no trabalho, para gravar as verdades que prega sobre o seu próprio coração em primeiro lugar. Como as pessoas não conseguem ouvir bem, também os pregadores não conseguem pregar bem, sem fé. Primeiro creia, depois fale (SI 116.10; 2 Co 4.13). E devemos nos lembrar da medida da fé - que, embora nenhum homem deixe de tê-la, porém muitos têm-na além de nós mesmos; e por isso devemos permitir que outros tenham uma porção de conhecimento e habilidade para instruir, assim como nós, até aqueles que diferem de nós em coisas menores. “Tu tens fé? Tenham-na para ti mesmo; e não faça dela uma regra para os outros, lembrando que a tens recebido apenas em tua medida”.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento ATOS A APOCALIPSE Edição completa. Editora CPAD. pag. 387-388.

  • ...Servi uns aos outros...· De modo geral, mas particularmente aqui devemos entender ·trabalho físico», isto é, a partilha de alimentos, de abrigo e de dinheiro, tal como na hospitalidade que acabara de ser recomendada.
  • ...conforme o dom que recebeu...· O trecho de Rom. 12:7 focaliza um dom de ·ministério», isto é, boas obras na forma de esmolas, de cuidados pelos enfermos, e de hospitalidade. Alguns crentes são especialmente dotados pelo Espírito, tomando-se·ricos em atos de caridade, dispostos à realização de serviço bondoso, o que fazem com maneiras graciosas e corteses. Talvez alguns médicos, enfermeiras e filantropos, quando são também crentes espirituais, recebem tal dom, além de outros, que têm a oportunidade especial de ministrar as necessidades físicas dos outros.

Algumas vezes tais pessoas também recebem amplos meios financeiros capacitando-se assim de se mostrarem generosas em alto grau. O judaísmo e o cristianismo primitivo enfatizavam grandemente a importância das esmolas. (Isso é comentado nas notas sobre Atos 3:2. Comparar também com Tia. 1:27, onde a ·religião pura é definida como a visita aos órfãos e às viúvas, em suas aflições, isto é, mediante a ministração às suas necessidades, além de conservar-se o crente imaculado do mundo). Tal ministração é a prática da regra áurea de Cristo, uma duplicação do seu amor. Portanto, esse ·ministério· é apenas a concretização da lei do amor, mencionada no oitavo versículo deste capítulo.

Este versículo, naturalmente, não só fala do dom especial da ·ministração às necessidades físicas», mas também impõe a todos os crentes o mesmo costume, ao ponto em que suas habilidade se circunstâncias lhes permitirem a participação. Cada homem tem um ·dom»; e, no presente versículo, sem dúvida cada crente deve contribuir com o seu próprio. Em outras palavras, Deus abençoa um homem, e então ele tem os ·meios» para realizar um serviço de caridade para com outros, sem importar se esse serviço consiste cm hospedar alguém, cm dar esmolas ou em cuidar de enfermos ou necessitados. E assim aprendemos aquele principio básico, tão comum nas páginas do N.T., e que determina: Recebemos a fim de dar, não a fim de amontoar bens para nosso próprio conforto. Feliz é o homem que crê nisso e o pratica. Todo crente é um «mordomo, e não um *proprietário» daquilo que possui. O mordomo deve mostrar-se ativo no «uso* de seus bens cm favor dc outrem, e não na tentativa de juntar mais ainda para si mesmo.

  • ...despenseiros...· Cada pessoa é ímpar e tem uma missão sem igual, agora e na eternidade. (Ver as notas expositivas a esse respeito, cm Apo. 2:17). Ele recebe habilidades necessárias para o exercício apropriado de sua missão. Também recebe os meios financeiros para poder realizar sua obra. Sua missão o transforma no tipo de pessoa que pode realizar um serviço específico. Um crente também pode receber várias missões; e todas as coletivamente consideradas, visam fazer dele um indivíduo sem-par. Uma missão é um meio de expressar a graça de Deus para com outros, pois nenhuma missão visa apenas o benefício do próprio indivíduo. Todos os dons de Deus se originam em sua ·graça*. Essa é a fonte de tudo de bom que possuímos. Portanto, quando ministramos a outros, cm qualquer sentido que seja. meramente espalhamos ao redor a graça de Deus, do modo que nos foi apontado. A mordomia subentende tanto que nos foi confiada certa missão como também a existência de uma necessidade autêntica. A graça de Deus se reveste de variedade infinita, resultando em dádivas abundantes aos homens. Tornamo-nos ministros mediante quem essa abundância é distribuída. Não ·possuímos* aquilo que a graça de Deus nos dá. pois tudo nos foi dado por empréstimo, temporariamente. Se nos recusarmos a contribuir, logo deixaremos de receber. Quando o povo de Israel ficou cobiçoso e recolheu mais maná do que era mister para o suprimento de um dia, o maná se estragou e soltou mau cheiro, tomando-se inútil. Assim, o homem que recebe mas não dá logo se tornará inútil como despenseiro da graça de Deus, e sua alma será estragada, perdendo toda a similaridade com a natureza espiritual de Cristo. O próprio Cristo veio para servir, e não para ser servido. (Ver Mat. 20:28).

«...multiforme graça...» No grego, o adjetivo é ·poikilos·, «diversificado», «de muitas espécies*. A graça divina se manifesta de muitos modos e se concretiza na vida humana de muitas maneiras. Cada crente recebeu tal graça, e está na obrigação moral de concedê-la a outros.

  • ...graça...» (Quanto a notas expositivas completas sobre a *graça*, ver Efé. 2:8). O que possuímos que não tenhamos recebido de Deus? *Pois quem é que te faz sobressair? c que tens tu que não tenhas recebido? e. se o recebeste, por que te vanglorias, como se o não ti veras recebido?» (I Cor. 4:7). Alguns agem como se o que têm fora produzido por eles mesmos.

Concede-nos graça tal que possamos cumprir tua vontade.

E proferir tuas palavras e andar diante de teu rosto.

Profundos e calmos, como águas profundas e tranquilas.

Concede-nos tal graça.

(Christina Roasetti)

Dom: Consideremos os pontos seguintes a respeito: 1. Envolve qualquer coisa doada gratuitamente. 2. Indica alguma bênção dada graciosamente por Deus, de qualquer espécie, aos pecadores (ver Rom. 5:15.16 e 11:29). 3. Indica a graça da salvação (ver Efé. 2:9), mediante a qual a salvação é conferida aos homens. 4. Indica um preparo gracioso e divino para o serviço, algum dom espiritual, alguma operação extraordinária do Espírito Santo (ver I Tim . 4:14) ou mesmo os dons do Espirito San to (ver os capítulos doze a catorze da primeira epistola aos Coríntios). 5. Indica a abundância de possessões físicas, usadas para benefício alheio: ou bens materiais suficientes para que deles possamos contribuir, embora não naquela profusão que poderíamos chamar de «abundante». Esse é o sentido que está em foco, talvez com alguma mistura com a quarta posição.

Esta passagem pode ser ilustrada pela parábola dos ·talentos», narrada pelo Senhor Jesus, em Mat. 25:15. Alguns intérpretes acreditam que Pedro alude aqui a essa tradição, embora tal narrativa ainda nào tivesse tomado forma escrita nos evangelhos canônicos, porquanto esta primeira epistola de Pedro foi escrita antes dos mesmos, com a única exceção possível do evangelho de Marcos.

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 6. pag. 156-157.

I Pd 4.10 Cada um, conforme recebeu um dom da graça – servi uns aos outros com ele como bons administradores da multiforme graça de Deus. Visto que os dons da graça (em grego: charisma) são dados pelo Espírito Santo, eles também são chamados de “dons do Espírito” (1Co 14.1). Este versículo presta uma importante contribuição para a pergunta a respeito do que são os carismas e como devem ser exercidos. O contexto demonstra que ser hospitaleiro, falar a palavra de Deus e exercer a diaconia são serviços dos dons da graça. O NT, portanto, não restringe o termo “dom da graça” aos dons particularmente notórios, p. ex., cura de enfermos (1Co 12.9) ou línguas (1Co 12.10; 14.13). Quem pratica de modo alegre e consciente a hospitalidade provavelmente obteve um carisma para isso. Porém, todo aquele que recebeu um dom para a edificação da igreja é um “carismático”. Pedro não escreve: “cada um, quando recebeu um dom da graça”, mas como (ou: “na proporção em que”) recebeu. Logo tem por certo que cada cristão participa da multiforme graça de Deus, que consequentemente também possui dons da graça. Não é possível produzi-los a partir de si mesmo, mas somente recebê-los. É verdade que podemos “buscá-los” (1Co 14.1), mas sempre continuarão sendo dádiva de Deus através do Espírito Santo. Servi uns aos outros com eles significa: os dons da graça foram dados para o serviço mútuo. Obviamente os dons não devem ser mal usados pelo seu detentor, p. ex. para a fama pessoal, pois então se tornam uma ameaça. Os dons da graça que nos foram confiados não devem nos tornar “carismáticos” deslumbrados, mas servidores humildes e singelos. Desse modo a dádiva se torna incumbência. Cada qual é servo do outro, essa é a ordem da igreja de Jesus. Como bons administradores da multiforme graça de Deus. A graça de Deus é sua dadivosa dedicação aos seus (cf. o comentário a 1Pe 1.13). Multiforme ela é na medida em que exerce uma obra diversificada na igreja e em cada cristão (cf., p. ex., 1Pe 5.10). Como graça multiforme ela também é suficiente para todas as múltiplas carências da igreja. Administradores é o nome dado pelo próprio Jesus a seus discípulos em várias parábolas (Lc 16.1; cf. Mt 25.14ss). Um administrador é caracterizado pelo fato de ter recebido dádivas em confiança para o serviço, que não são de sua propriedade. Cabe-lhe prestar contas sobre seu uso, razão pela qual tem de aproveitar tempo e oportunidade, enquanto possui os dons. Um laborioso empenho em prol de seu Senhor com os dons da graça que lhe foram confiados constitui o bom administrador.

Uwe Holmer. Comentário Esperança I Pedro. Editora Evangélica Esperança.

  1. Vida na comunidade cristã é vida de serviço aos outros. Jesus foi o Servo de Deus, Aquele que “não veio para ser servido, mas para servir” (Mc 10.45). Na Sua vida, tal como nos mostram os Evangelhos, Ele demonstrou esse princípio, servindo ao Seu povo e aos Seus (como ilustrado em Jo 13.1-17). Servi uns aos outros é, assim, um chamado a sair de si mesmo e dos seus problemas, e se dedicar aos outros. É nessa exteriorização que está o fundamento da ética cristã, como vida de serviço aos outros “enquanto outros” (ou seja, não uma extensão de mim próprio, ou “outros” a quem eu comando ou manipulo, e coloco dentro do meu esquema). A palavra grega é diakonuntes, de onde vem diaconia, serviço. Aqui, ela tem um significado abrangente, incluindo todo tipo de serviço que se pode prestar a outros (em palavra e ação).

Essa diaconia é possível porque todos receberam dons com os quais podem servir aos outros. Charisma é o termo usualmente empregado no N.T. para se referir aos chamados “dons espirituais”. São várias as definições e especificações deles (cf. 1 Co 12; Rm 12; Ef 4); trata-se de capacidades que Deus concede a todos os cristãos (associadas à habitação do Espírito Santo neles, 1 Co 12.7) para o serviço dentro do contexto da comunidade cristã. Podem se tratar de talentos naturais que recebem um novo impulso e uma nova orientação pela ação do Espírito, ou de capacitações originais, concedidas ao crente para que com elas sirva aos outros. Esta questão dos dons às vezes tem causado polêmicas entre os cristãos. Nunca devemos perder de vista que são dados soberanamente pelo Espírito Santo, e que sua função é servir (nada mais que isso; usá-los para autopromoção é absolutamente contrário à sua natureza, sendo uma atitude exemplarmente repreendida em At 8.18-24).

Importante é também que cada um dos crentes recebeu um dom, o que, de saída, nivela a todos, e toma todos igualmente importantes uns para os outros. Cada um deve colocar o dom que tem a serviço de todos, porque, ao receberem dons, os cristãos se tomam despenseiros da graça de Deus. A charis (graça) é a fonte dos charisma (dons, carismas). Quem os recebe, recebe graça de Deus, e os recebe por causa da graça de Deus que lhes concedeu o Espírito Santo. Ter um dom espiritual, então, é ter um “depósito de graça”, que deve extravasar (porque graça é para ser doada). Despenseiros é oikonomoi, um termo técnico referente ao mordomo, o administrador da casa (lembrando que “casa” é a oikos do mundo da época, uma instituição social fundamental, a “comunidade doméstica” que incluía família e trabalhadores, bem como os hóspedes). O oikonomos era o encarregado de atender as necessidades de todos, administrando os bens nessa direção. E uma bela figura para o papel dos cristãos na igreja (e note-se que todos o são). Todos na “casa de Deus” têm necessidade de “graça”, e todos são chamados a suprir essa necessidade mutuamente. E não devemos espiritualizar em demasia a questão, pois essas necessidades muitas vezes serão bem materiais e rotineiras. E o chamado ainda é para ser bons despenseiros, estando implícito que se pode não ser um bom administrador da graça de Deus. Vem a propósito aqui a parábola do bom e do mau oikonomos (mordomo), de Lc 12.42-48 (especialmente pelo contexto escatológico).

A graça de Deus, por fim, é multiforme. Visualmente, isso seria como um cristal que reflete a luz em vários matizes e uma sempre nova e surpreendente combinação de cores e tons. Esse conceito é importante e tem sido desprezado na prática, muitas vezes, pelos cristãos. Está subentendido que a questão dos dons é sempre dinâmica. Não podemos deduzir uma lista fixa de dons a partir das passagens do N.T. que falam sobre o assunto, e mantê-los a todo custo como os únicos dons espirituais. Deus dá os dons de modo multiforme, de acordo com as características locais e as necessidades do momento. Quando a situação muda, quando novos quadros se apresentam, Ele dará os dons de forma apropriada à nova realidade, sempre nos surpreendendo com o Seu agir. Multiforme também significa, para um mundo dividido como o nosso em culturas e características regionais bastante diferenciadas, que o Espírito leva em conta essa diversificação e trabalha dentro dela. Indispensável nas relações entre os cristãos (também a nível internacional) é a eliminação de todo resquício de prepotência e espírito de julgamento, e a disposição ao amor e ao serviço ao outro como outro (respeitando-o e valorizando-o naquilo em que é diferente de mim ou de nós).

Ênio R. Mueller. I Pedro Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. pag. 238-239.ELABORADO:

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